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	<title>Editora Multiesportes</title>
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	<description>Revistas Corredores S/A e Supertreino</description>
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		<title>CORREDOR FLEXPOWER</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 19:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao contrário da maioria dos carros, atleta não pode ser movido a álcool. Porém, dá para ‘encher o tanque’ desde que não se espere ‘performance do motor’]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ao contrário da maioria dos carros, atleta não pode ser movido a álcool. Porém, dá para ‘encher o tanque’ desde que não se espere ‘performance do motor’</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1458" title="flexpower" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/flexpower.jpg" alt="" width="300" height="300" />Esporte é sinônimo de saúde, claro. O mesmo não se pode dizer das bebidas alcoólicas. Mas será que esses contumazes antônimos podem conviver juntos? Para quem aprecia, digamos, uma biritinha, a resposta pode ser animadora e, ao mesmo tempo, arriscada. Com algumas precauções e o velho bom senso, isso é possível – obviamente, desde que você não tenha qualquer pretensão de bater um recorde mundial ou algo do tipo. Performance e álcool, definitivamente, jamais combinarão. Quando se trata de correr, o sistema flexpower só funciona bem mesmo nos motores dos carros.</p>
<p>Contudo, primeiramente é importante tirar um pouco da ‘inocência’ que o álcool ganhou, muito por ser uma droga aceitável social e legalmente. Em excesso, causa inúmeras doenças no trato digestivo, além de dependência e pode até levar à morte. E se defender dizendo que só bebe socialmente, para descontrair, tampouco garante um álibi: “Descrever os volumes alcoólicos toleráveis ou de risco tem pouca importância na prática clínica, uma vez que as consequências deletérias do uso do álcool ocorrem também em pessoas que ingerem quantidades bem inferiores àquelas que indicam abuso”, lembra a médica nutróloga Ellen Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.</p>
<p>O primeiro grande problema do álcool é seu principal componente, o etanol. “Assim que a pessoa toma um gole, uma pequena parte dessa substância já começa a entrar na corrente sanguínea pela mucosa da boca. Os efeitos do álcool são percebidos em dois períodos, um que estimula e outro que deprime. No primeiro, pode ocorrer euforia e desinibição. Já no segundo momento ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Os efeitos agudos do consumo do álcool são sentidos em órgãos como fígado, coração, vasos e estômago. O abuso deste composto afeta muitos sistemas de órgãos, causando tanto efeitos agudos, como crônicos”, alerta Mônica Forte, nutricionista clínica e esportiva.</p>
<p>A lista é grande: o etanol diminui a atividade do sistema nervoso central, pode gerar simultaneamente efeitos positivos e negativos no sistema cardiovascular, conduz a três diferentes desordens patológicas no fígado (esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose), irrita a mucosa do estômago, dificultando a digestão e aumentando a produção de ácido gástrico no órgão, o que gera sensação de enjoo e mal-estar.</p>
<p>O segundo problema está intimamente ligado à incompatibilidade esporte-álcool e é facílimo de ser notado: quem bebe tem mais vontade de urinar pois o etanol age na hipófise, glândula no cérebro que inibe a produção de um hormônio que controla a absorção de água pelos rins. Isso leva – além de muitas idas ao banheiro – a um quadro de desidratação. “Ocorre pela elevada taxa de excreção de urina, portanto, tanto os atletas que visam performance aeróbia podem se prejudicar da desidratação, como os praticantes de atividade física em geral, com objetivos de hipertrofia, perda de peso, podem ter seus resultados atrapalhados, uma vez que a água é de fundamental importância para o metabolismo corporal”, aponta Mônica.</p>
<p>A terceira questão é relacionada ao valor nutricional da cerveja, vinhos e afins: ele é zero. Apesar de calórico – 1g de álcool fornece 7 calorias – não contém nenhuma vitamina, nada de benéfico do ponto de vista alimentício. E, para muitas pessoas, acaba inibindo o apetite. Com isso, o costume de trocar jantares saudáveis por hap-py hours pode até levar a um quadro de desnutrição. “Isso ocorre por várias causas: ingestão insuficiente de alimentos, dificuldade de absorver os alimentos ingeridos, perda de proteínas pelo intestino e redução da síntese de proteínas pelo fígado. Dentre todas essas alterações, as dificuldades na ingestão adequada de alimentos provoca desnutrição proteica, deficiências de vitaminas A, C, D e do complexo B, magnésio e zinco”, explica Ellen.</p>
<p>É importante frisar que nem todo mundo reage da mesma forma com a ingestão do álcool. “A maioria responde a baixas doses com relaxamento leve e agradável. Os efeitos causados pelo álcool também variam, além da quantidade ingerida, dependendo ainda da química cerebral de cada pessoa, fazendo com que o relaxamento inicial dê lugar à sonolência ou a muita agressividade”, explica Mônica. Por isso, também, muita gente pode dizer que sai na noite anterior, toma todas e corre de manhã numa boa. E até pode perfeitamente ser verdade, mas não é regra.</p>
<p>Falando especificamente de quem pratica esporte, além da questão da desidratação, outro prejuízo se dá por meio do que o bacharel em esporte e nutricionista Danilo Balu chama de metabolização de substâncias inflamatórias ‘inimigas dos treinos’. “Para ser metabolizado, o álcool é convertido em uma substância tóxica, o acetaldeído. Quem bebe fica por mais tempo com esse composto no corpo. Além disso, o álcool estimula a produção exagerada de substâncias de ação inflamatória, como as prostaglandinas, que geram incômodos físicos”, explica.</p>
<p>Tudo isso significa dizer que não importa se você ingere um copo de cerveja por ano ou por minuto, toda vez que ingere álcool está introduzindo algo maléfico à saúde no corpo. Isso dito, não podemos esquecer o papel social e de desinibição que a bebida cumpre: aquele relaxamento após um dia estressante de trabalho, o combustível de um papo animado com os amigos, a animação para curtir uma noite de balada&#8230; são vários os motivos para bebericar aqui e ali – e incontáveis as oportunidades para fazê-lo.</p>
<p>Portanto, levando em consideração que parar de beber completamente não é uma opção para boa parte das pessoas, mesmo quem está investindo na prática esportiva como forma de promover a saúde – ‘afinal, pelo menos eu corro para compensar’, há quem possa se defender –, a solução é adotar uma estratégia que una os benefícios do esporte aos prazeres da noite. “O consumo moderado de algumas bebidas alcoólicas (vinho e cerveja, por exemplo) vem sendo considerado comprovadamente sadio, mas há um momento certo de oferecermos cada tipo de alimento ao nosso corpo. Após os treinos é importante ajudarmos na recuperação (com carboidratos e proteína) e hidratação. Ou seja, o álcool em si não evita ganhos de desempenho, mas seu consumo exagerado ou no momento errado pode, sim, atrapalhar muito”, avisa Balu. Veja, a seguir, como não errar na dose.</p>
<p><strong>Hora certa</strong></p>
<p>“Tudo na vida precisa ter um equilibrio”, frisa a nutricionista Mônica Forte. No caso da convivência bebida alcoólica e corrida, isso significa escolher entre performance e divertimento. Se está perto daquela prova para a qual treinou tanto, a qual quer fazer bem, vale a pena deixar as festas de lado por uma, duas semanas. Se estiver numa época mais relaxada, simplesmente aceite o fato de que não estará 100% para correr. “Não se pode exagerar nas bebidas, nas baladas, nas noites mal dormidas, na má alimentação, assim como não vejo necessidade de abrir mão dessas confraternizações, momentos com amigos, diversão, por conta de treinos. Porém, é preciso ter prioridades. Se estiver treinando para alguma competição específica, creio que vale a pena focar nos seus treinos, descanso e alimentação. Mas se você faz exercício sem fins competitivos, acredito que o melhor é escolher o dia e período do treino de maneira que haja tempo de recuperação, sono e alimentação adequados mesmo com baladas”, recomenda.</p>
<p>Os corredores até trocam receitas pela internet, como comer melancia após beber, por exemplo, mas o nutricionista Danilo Balu também não vê milagre: ou desempenho, ou diversão regada a álcool. “As duas coisas, infelizmente, não existem.”</p>
<p>O profissional lembra que, muito embora o álcool em si seja prejudicial principalmente devido à desidratação que provoca, no caso de quem frequenta casas noturnas os ‘inimigos da performance’ apenas se multiplicam. “Hoje sabemos que a noite de sono um dia antes da prova não é assim tão mais importante, mas uma festa na noite anterior pode vir a desgastar muito o atleta. Você pode comparecer ao evento, mas seria prudente se alimentar corretamente, não beber álcool para manter o corpo devidamente hidratado, não fazer excessos físicos (dançando, por exemplo) e tentar dormir bem. Ou seja, os dois estilos podem conviver razoavelmente bem em algumas oportunidades, mas não há como ser viável os exageros.”</p>
<p><strong>Companhia certa</strong></p>
<p>Para quem não é de ferro, há como fazer na noitada o menor estrago possível no corredor que existe dentro de você. As sugestões passam muito por variar o cardápio e dar estímulos mais saudáveis ao corpo. “A dica é jamais beber de estômago vazio – pois os efeitos do álcool se potencializam pela rápida absorção – e incluir bebidas não alcoólicas ao longo do coquetel ou refeição. Se puder escolher, que opte pela cerveja e pelo vinho, intercalando com sucos, refrigerante ou água. A quantia varia de pessoa para pessoa em função do peso (os menores devem beber menos), sexo (mulheres toleram menos) e tolerância natural (algumas pessoas conseguem beber naturalmente mais que outras)”, destaca Danilo Balu.</p>
<p>A escolha do tipo de bebida a ser consumida faz toda a diferença. “As destiladas (uísque, vodca, cachaça) apresentam alto teor de álcool, chegando a 50%, enquanto a cerveja tem em torno de 5%. Portanto, se a escolha for o primeiro tipo, a dose deve ser bem mais controlada. Uma dose equivale a aproximadamente 285ml de cerveja, 120ml de vinho e 30ml de destilado. De maneira geral, homens podem tomar 2 doses/dia, e as mulheres, apenas uma”, informa Mônica Forte, que recomenda a ingestão de um copo de água a cada dois de cerveja ou uma dose de destilado, a fim de ajudar na reidratação.</p>
<p>Outra dica da profissional, até fácil de cumprir, é comer enquanto bebe. Mas não frituras e alimentos gordurosos. “A combinação de um carboidrato e uma proteína seria a melhor opção, como: lanche de pão, carne, queijo e salada. Isso porque os alimentos dificultam a absorção do álcool pelas paredes do estômago.”</p>
<p><strong>Drink Running</strong></p>
<p>Há quatro anos, São Paulo abriga uma prova para quem leva a sério esse casamento entre bebida e corrida. A Drink &amp; Run não é famosa pelo percurso de 7km, mas, sim, por seus ‘postos de hidratação’, oito no total, nos quais os participantes bebem ao menos um chopp em cada – não tem como escapar, são as regras. Outras obrigações são largar, correr e chegar junto com o grupo – em tempo, a prova não premia vencedores – e o uso de uma fantasia, que muda anualmente. Mas nem tudo é moleza: sentar e ficar no bar não pode, tem que chegar, beber e continuar correndo. Com início no Bar Pracinha e final no Piove, numa região famosa pela vida boêmia, entre Itaim e Vila Olímpia, a corrida nasceu, obviamente, de uma conversa de bar entre amigos, que queriam premiar-se após um ano de muito treino. É realizada em dezembro e tem até kit ressaca no pacote, que custa R$ 200,00.</p>
<p>Os cariocas também têm a sua ‘corrida etílica’, em formato similiar, há 3 anos, igualmente em dezembro. A Corrida Drunks, do Leblon ao Leme, prevê cinco paradas de 10 minutos cada para ‘hidratação’ e 8km de percurso. Os R$ 35,00 de inscrição não incluem os cinco chopps obrigatórios.</p>
<p>Corridas etílicas não são privilégio do Brasil. Na França, por exemplo, existe a Maratona de Médoc, na qual é servido vinho aos atletas ao longo do percurso e com direito a degustação de aperitivos.</p>
<p>Existem ainda provas bem menos sérias, nas quais os participantes se autodenominam ‘bebuns’. Equipes de quatro atletas se revezam na tarefa de carregar um engradado de cerveja, que larga cheio e tem que cruzar a linha de chegada vazio. Não é preciso dizer que não se trata de corredores, mas caminhantes. Em 2010, na fase pré-carnaval, estão programados alguns eventos neste estilo, como a LuziCerva, em Luziânia-GO e a 1ª Corrida da Cerveja de Arapiraca (Alagoas).</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 84 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>QUE COISA FEIA!</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:58:10 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>

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		<description><![CDATA[Os pipocas, ou bandidos, são aquelas pessoas que usam a estrutura das provas, mas correm sem pagar inscrições. Uma atitude digna da lamentável ‘Lei de Gerson’ e que precisa ser banida das ruas do Brasil e também de outras partes do mundo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os pipocas, ou bandidos, são aquelas pessoas que usam a estrutura das provas, mas correm sem pagar inscrições. Uma atitude digna da lamentável ‘Lei de Gerson’ e que precisa ser banida das ruas do Brasil e também de outras partes do mundo</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1456" title="pipoca" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/pipoca.jpg" alt="" width="300" height="300" />Populares, sim. Baratas, nem sempre. As corridas de rua carregam a fama bastante justificável de fácil acesso, aquela ideia de que ‘é só calçar o tênis e sair por aí’ e, a princípio, é isso mesmo. É uma modalidade que não escolhe público porque pode ser praticada em qualquer rua ou parque, porque não acarreta na necessidade de ter equipamentos especiais. Mas várias empresas já descobriram que é possível agregar valor a tudo isso. Nos calçados, nas roupas, acessórios e eventos esportivos.</p>
<p>Eventos, aliás, em que a corrida é parte de um acontecimento maior, quase uma ‘desculpa’ para ganhar água e isotônico, brindes, camisetas, frutas, massagem, passatempo para os filhos, ter a possibilidade de correr por ruas geralmente preenchidas por carros sem se preocupar em ser atropelado. Há até show ao vivo. Sinal de que os organizadores estão buscando formas de atrair público no abarrotado calendário, mas também de que as inscrições já não podem ser uma barganha.</p>
<p>Diante disso, muita, mas muita gente mesmo – os organizadores de provas entrevistados falam de 15% a 20% – se vê no direito de retornar às raizes da corrida de rua na marra. ‘Se é um esporte popular, então por que eu não posso apenas entrar no meio do povão e correr?’, argumentam alguns. São os pipocas da corrida, nome dado em alusão ao apelido dos foliões do Carnaval que brincam fora do cordão de isolamento dos trios elétricos por não comprarem os abadás (camisetas com símbolo do bloco).</p>
<p>Engana-se quem pensa que se trata de ‘jeitinho’ brasileiro. Lá fora, eles também têm nome: bandits, bandidos mesmo. Na Meia Maratona de Buenos Aires de 2007, quando três dos quatro mil participantes não pagaram inscrição – e, consequentemente, não eram esperados – faltou água e houve inúmeros casos de atendimentos médicos por desidratação.</p>
<p>Há quem diga que corre como pipoca porque perdeu o prazo das inscrições, que estava treinando no local e resolveu entrar, mas, principalmente, devido ao preço da inscrição.</p>
<p>Tendo isso em vista, não dá para ignorar o fato de que há, sim, opções de provas baratas. Numa rápida pesquisa na sessão Calendário de Corredores S/A, em dezembro de 2009 haviam sete opções abaixo de R$ 15,00. Obviamente, não se pode ir a uma prova dessas imaginando voltar com o melhor kit de todos os tempos, mas se é para correr, vale a pena.</p>
<p>Vida complicada, contudo, tem quem quer participar dos grandes eventos que, com o aumento da visibilidade do esporte, estão mais caros hoje do que há cinco, dez anos. Na verdade, em alguns casos, estão mais caros que no ano passado (a Corpore, por exemplo, reajustou preços). Nesse período, com tanta diversidade de eventos, a exigência do público também cresceu. O resultado é, em média, uma taxa de R$ 40,00 para ter o direito de participar de uma prova (numa conta rápida R$ 480,00 por ano por uma competição mensal).</p>
<p>Mas isso é muito? Comparando com outros esportes, não. Pesquisando eventos em janeiro, encontra-se uma prova de travessia de natação por R$ 20 a 40 e um simulado de triathlon por R$ 30 a 60, por exemplo. Já a inscrição do Paulista de Mountain Bike, R$ 70,00.</p>
<p><strong>Reações</strong></p>
<p>O número de pipocas é tão grande que os organizadores já os esperam. “Temos que ter mais 20% de água, gel e staff de entrega em cada evento, pois nos preocupamos em não faltar nada para os que pagam a inscrição”, contabiliza Renato Elias, diretor da JJS Eventos.</p>
<p>Carlos Sampaio, da Spiridon, soma a isso ambulâncias, banheiros químicos, seguranças e árbitros. “O prejuízo, além do aumento do custo do evento, está em prestar serviço para uma pessoa que desconhecemos completamente. Não sabemos seu nome e dados essenciais sobre ele, o que pode gerar vários tipos de problemas”, aponta o diretor, que observa que, quanto mais famoso o evento, maior o número de pipocas, pois geralmente as inscrições se esgotam com antecedência.</p>
<p>E, muitas vezes, há um fator importante para isso: a falta de espaço. “Nos preocupamos em limitar a participação em nossos eventos para que o atleta tenha uma boa desenvoltura técnica durante sua realização, isto é, não pare, não diminua o ritmo. Se a rua ou avenida não comportar de forma ideal a quantidade de participantes, é uma falha técnica da organização. Fazemos o cálculo da limitação também levando em conta estes participantes que não pagam”, informa Elias.</p>
<p>Uma grande preocupação é em relação à segurança. “Em caso de algum acidente, por exemplo, a equipe médica não tem de onde obter informações sobre contatos ou alguma possível restrição médica que o atleta tenha, além disso, ele não está segurado como todos os outros inscritos regularmente, não tendo direito a nenhum tipo de indenização. A prova conta com inúmeros staffs e profissionais que se empenham para proporcionar um evento de qualidade aos atletas e tiram desta função sua fonte de renda. A partir do momento que atletas usufruem desta estrutura não reconhecendo o trabalho dos envolvidos, fica caracterizado um desrespeito profissional por estas pessoas que não deixarão de fornecer nenhum tipo de atendimento necessário a alguém que esteja presente no evento. É realmente lamentável ser preciso concentrar esforços para controlar determinada situação que deveria ser evitada pelo próprio bom senso de todos”, considera Carlos Galvão, diretor executivo da Latin Sports.</p>
<p>Por fim, o problema é a bola de neve que usufruir da estrutura sem pagar gera: quanto mais pipocas, maior o gasto dos organizadores com essa estrutura e, consequentemente, mais cara a inscrição. “Considerando um evento de 10km para 4.000 participantes, se tivermos 20% de ‘bandidos’, só com água mineral teremos um acréscimo de 11.200 copos”, exemplifica Sampaio. “Acreditamos que seja uma situação desagradável para quem se inscreve corretamente, que entende as questões de segurança, e a relação comum entre a realização de um evento particular e sua decorrente necessidade de inscrição. Atuamos da única forma que acreditamos possível para controlar esse tipo de prática, que é evitando que estas pessoas tenham acesso a serviços que devem ser exclusivos aos inscritos, como os oferecidos pelos patrocinadores na arena do evento”, completa Galvão.</p>
<p><strong>Pipoca por acaso</strong></p>
<p>Em meio a essas conversas de custos para uns e danos para outros, uma história engraçada. O baiano Allan Bradovic não foi um pipoca comum em Salvador: ele venceu a prova. “A corrida foi num lugar ótimo para treinar, parece com a Cidade Universitária. A volta completa soma 8,5km e, naquele domingo, meu treino era dar duas voltas ali. Passei a primeira volta com 29min30 e a segunda deveria ser mais baixo.” Levando em consideração que haveria uma corrida de 6km no local às 8h, Allan pensou ter tempo de completar o treino sem cruzar com o pessoal do evento em ação. No entanto, houve um atraso de 20 minutos na competição. Foi o suficiente para o baiano estar bem na frente do pelotão de elite na largada, ou seja, na hora e local errados. “Eu disse aos batedores que não estava inscrito mas eles insistiram em me acompanhar. Acho que não conheciam o percurso. Estava 100 metros à frente do pessoal na largada, mas cinco atletas acabaram me alcançando e passando por mim.” A Allan, restou manter-se no ritmo programado do treino, 3min20/km, num percurso cheio de subidas e curvas. Foi o bastante para, com mais de 10km nas pernas, chegar, ultrapassar e abrir dos primeiros colocados e vencer a prova. Venceu, mas não levou, claro, pois não estava inscrito, mas irritou muita gente. “Depois eu voltei ao local e recebi inúmeras reclamações dos competidores. Também ouvi poucas e boas do meu técnico, que tinha marcado o treino, e depois disse que não deveria ter ido lá.”</p>
<p><strong>A luta para equilibrar preço e qualidade</strong></p>
<p>A inscrição em si não paga um evento de corrida de rua e a tentativa das organizadoras é diminuir sua porcentagem de participação no custeio por meio de patrocínios e parcerias. “A definição do valor leva em conta alguns itens como número limite de inscritos, serviços oferecidos, itens no kit atleta, entre outros. O mercado brasileiro não permite que haja supervalorização da inscrição sem que benefícios sejam proporcionados e notados. O mercado de corredores conta com inúmeras opções de corrida, com variações significativas de valores, sendo que é possível que a escolha seja feita por este critério”, reconhece Carlos Galvão, diretor executivo da Latin Sports.</p>
<p>Na JJS Eventos, a busca é para que as inscrições representem até 30% da receita do evento. “Se não negociarmos de dois a três patrocínios não tem como fazer a prova. Como no Brasil as empresas ainda não enxergam o esporte como um meio de divulgação, é uma tarefa difícil”, aponta o diretor Renato Elias, que arremata. “Somos uma empresa gerida por atletas e levamos as iniciais de um dos maiores nomes de corrida do país de todos os tempos – José João da Silva, que veio de Pernambuco, do povo, e se tornou um grande atleta – temos uma filosofia de trabalho e não mudaremos nunca: não realizamos a corrida tendo como base a arrecadação de inscrição.” Elias reconhece a necessidade de fazer empréstimos bancários para realizar alguns eventos.</p>
<p>Baixar a participação das inscrições na conta final também é a missão da Spiridon, outra empresa gerida por corredores. “Concedemos inscrições ‘sociais’ gratuitas para pessoas carentes, portadores de necessidades especiais e projetos sociais de comunidades carentes. Chegamos, por vezes, a conceder 15% do total de inscrições em gratuidades. Temos valores diferenciados para grupos e descontos escalonados para quem faz a inscrição com antecedência, podendo obter até 40% de redução no valor”, lista Carlos Sampaio.</p>
<p>O diretor reconhece o alto custo, mas vê também um aumento na exigência do público. “O nível de exigência dos clientes está muito alto (com razão). Não adianta fazer eventos com camisetas de baixa qualidade, com um kit de participação sem muitos itens, que não terá procura. Da mesma forma que os clientes reclamam do preço, exigem qualidade, e não dá para ter qualidade e não repassar parte para o preço final”, justifica. “Para fazer uma prova com camiseta com tecnologia dry, boné, sacola de kit especial, medalha de participação de boa qualidade, área de serviços com massoterapia e outros, frutas, isotônicos, água mineral, chuveiros, e tantos outros itens, precisamos de muito investimento/patrocínio. Para organizar um evento e legalizá-lo junto aos órgãos públicos (que são muitos), é preciso cumprir muitas exigências legais, pagar taxas e impostos.”</p>
<p>Para Oswaldo Felippe Jr, diretor da TH5 Eventos, que atua no litoral de São Paulo, os preços não são abusivos. “Não acredito que as provas da TH5 tenham valor exagerado ou acima da média, já que levamos em conta que, por estarmos no litoral, os custos com deslocamento para a grande maioria são consideráveis. Temos por meta atender a poucos com qualidade, não nos importando a quantidade.”</p>
<p><strong>Há soluções?</strong></p>
<p>Uma vez que baixar os valores das inscrições não parece ter espaço nas planilhas dos organizadores – a não ser em detrimento de uma queda na qualidade no serviço oferecido aos que pagam – seria possível solucionar o problema?</p>
<p>Uma tentativa seria adotar estratégias de descontos em inscrições para pessoas que realmente não têm condições de pagar ou para quem se programa com antecedência – os tais descontos escalonados. Mas quanto do orçamento deveria ser ‘apertado’ para manter a vocação popular da corrida, sendo que, no final das contas, trata-se de um evento com fins lucrativos? “Temos que lembrar que 60% da população ganha R$ 500,00 por mês. Se entrarmos nesse mérito, vamos longe”, aponta Renato Elias, que não vê saídas práticas para o problema. “O nome já diz: corrida de rua. É o esporte do povo, um evento na rua e a rua é de todos. Portanto, não tem como proibir, temos que procurar uma maneira de fazer com que este participante tenha interesse em pagar a inscrição.”</p>
<p>Interesse ou consciência de que há uma larga parcela desse ‘povo corredor’ que é prejudicada. Afinal, quem paga a inscrição arca com custos dos piratas. “Acreditamos que a melhor maneira é passar a ideia de que ninguém mais aguenta esta mentalidade que está se tornando norma no Brasil, de que somos um país de ‘Gersons’, onde todo mundo quer sempre levar vantagem”, afirma Oswaldo Felippe Jr, da TH5 Eventos.</p>
<p>Carlos Sampaio, da Spiridon, é outro que defende o bom senso. “Temos que mostrar o quanto é importante estar inscrito no evento, exemplificando com os problemas que o participante não inscrito pode sofrer caso necessite de atendimento médico, caso sofra algum acidente, não terá cobertura do seguro, e também dos benefícios que ele terá com serviços especiais que a prova oferece, e tantos outros. Somente com uma campanha educativa e de conscientização esta postura mudará”, defende.</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 85 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>DOSE EXTRA DE ENERGIA</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:41:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>

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		<description><![CDATA[Entenda como e quando os suplementos alimentares são úteis ao corredor no complemento da tríade treino, descanso e alimentação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Entenda como e quando os suplementos alimentares são úteis ao corredor no complemento da tríade treino, descanso e alimentação</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1454" title="suplementos" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/suplementos.jpg" alt="" width="300" height="300" />Acelerar a recuperação, melhorar o rendimento ou até mesmo turbinar a queima de gordura. As promessas são tentadoras e, ao contrário do ditado que  diz ‘quando a esmola é demais, o santo desconfia’, os suplementos alimentares ajudam, sim, os corredores a atingir objetivos. A palavra-chave, no entanto, é ajudar. Seu papel é complementar os resultados conseguidos com a tríade treino, descanso e alimentação, dando aquele toque final para a conquista de diferentes objetivos.</p>
<p>Objeto de adoração de alguns, motivo de desconfiança para outros, certo é que as informações sobre suplementos, muitas vezes, são desencontradas. Eles substituem a alimentação? São apenas para atletas de alto nível? É ‘bomba’? “O uso generalizado do termo suplementos já confunde a população em geral para identificar os produtos que são alimento e não medicamento, pois o termo suplemento quer dizer um aporte a mais à nutrição do esportista ou atleta, o que na maioria das vezes não é necessário”, considera Jacira Conceição dos Santos, especializada em nutrição esportiva e presidente da Associação Gaúcha de Nutrição.</p>
<p>Isso porque a mesma proteína que se consegue num whey protein ou mesmo o carboidrato de uma maltodextrina são encontrados num corte de carne ou numa batata, por exemplo. Ou seja, por meio da alimentação, é possível suprir as necessidades nutricionais sem precisar suplementar.</p>
<p>A importância desses produtos, no entanto, não está na substituição de alimentos, mas na rapidez de atuação. “Eles são utilizados ou como repositores rápidos de glicose e minerais, ou como um alimento de rápida digestibilidade para atlletas com alta carga de treinamento. Os altos requerimentos nutricionais exigem uma alimentação balanceada com uma quantidade de proteína que, se for ingerida na forma de carne ou ovos, vai demandar um tempo de digestão que o atleta não dispõe em função do número de horas diárias em que treina. Na fase de recuperação, em algumas modalidades, também é importante incluir proteínas de rápida disgestibilidade”, aponta Jacira.</p>
<p>Por isso, é incorreto afirmar que todo corredor necessita deste ou daquele suplemento. É provável, até, que não precise de nenhum. São os fatores metabólicos, da rotina de refeições e treinos que determinarão isso. “Teoricamente, os alimentos de uma dieta seriam suficientes para obtermos todos os nutrientes necessários a uma alimentação balanceada. O segredo dos suplementos está muito mais no momento em que se toma do que exatamente o que se consome. Eles são uma grande ferramenta pela praticidade, mas não há nada neles que um atleta amador não consiga diretamente pela alimentação convencional. Eles tornam nossa alimentação mais fácil, mas não são indispensáveis para o bom desempenho do esporte”, explica o nutricionista Danilo Balu.</p>
<p>Então, respondendo as perguntas anteriores, suplementos não substituem alimentos, não são úteis apenas para profissionais e também não são ilegais – desde que inspecionados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Doping são medicamentos que podem influenciar na desenvoltura do atleta. Alguns medicamentos, como antiinflamatórios, podem ocasionar este problema, é bom ter cautela e sempre perguntar ao seu médico”, frisa a nutróloga Samantha Enande, da Clínica Valéria Marcondes.</p>
<p><strong>Receita personalizada</strong></p>
<p>A primeira questão para quem quer começar a tomar suplementos, seja qual for sua função, é justamente saber se é necessário. Mas isso não é algo que dê para definir de maneira geral. Não se pode afirmar que, por exemplo, quem treina cinco vezes por semana ou acumula uma quilometragem X necessita complementar a alimentação. A resposta a essa pergunta quem tem é o nutricionista ou nutrólogo, que levará em consideração fatores como tipo de treino, modo de alimentação, idade e sexo, além de exames de avaliação física e clínica. “Caso contrário, há riscos para a saúde e manutenção do desempenho a médio e longo prazo, como a perda de massa óssea pelo uso excessivo de proteínas, por exemplo”, alerta Jacira.</p>
<p>A intensidade é fator primordial para avaliar essa necessidade. “Para a suplementação ser imprescindível, a pessoa teria que ter uma carga de treino extremamente grande, o que hoje só consegue quem é profissional ou atleta de ponta em alguns esportes olímpicos amadores. Geralmente esses competidores com enormes gastos energéticos (na casa das 6mil kcal ou mais) têm dificuldade de obter carboidrato com refeições convencionais. Proteínas, aminoácidos e vitaminas não são nutrientes que necessitem suplementação, qualquer que seja a carga de treino dos corredores não profissionais. Há um raciocínio muito simples que rebate a ideia de consumir multivitamínicos quanto maior a quantidade de energia que precisamos, mais alimentos comemos e mais vitaminas consumimos, porém, o consumo de vitamina nos atletas é apenas ligeiramente maior, não precisando de qualquer tipo de complemento, caso tenham hábitos alimentares saudáveis. A pessoa deve sempre combater os erros alimentares, não querendo compensar tomando outros produtos”, sinaliza Balu.</p>
<p>Combater esses erros é apostar na reeducação alimentar ao invés de incluir mais produtos. Quem sabe o cansaço após os treinos não está relacionado com um lanche muito pobre antes da atividade? Ou a dificuldade em perder peso não existe em função de eventuais assaltos à geladeira?</p>
<p>Se pensarmos que o excesso de vitaminas pode ser tóxico ou que aquele gel de carboidrato ingerido inadequadamente significa apenas um maior consumo calórico que, dessa maneira, levará ao aumento do peso, rever as estratégias de hidratação, apostar numa alimentação variada e atentar ao que come antes e logo após o treino soa mais seguro.</p>
<p>Mas há casos em que a suplementação se torna uma saída prática para alguns problemas, se não relacionados com uma necessidade de reforçar a quantidade diária de determinado nutriente, ligados à rapidez e facilidade de consumo. Por exemplo, para quem treina e sai correndo para o trabalho, sem tempo para um lanche.</p>
<p>Caso a suplementação vá ajudar ou mesmo ‘quebrar um galho’ na impossibilidade de ingerir comida ‘de verdade’, os principais alvos são manter as reservas de glicogênio e preservar os músculos. “Num esforço de longa duração e de intensidade variável como a corrida de meia e longa distância, pretende-se, sobretudo, maximizar as reservas e a resistência aeróbia. Geralmente são esforços que não implicam em velocidade ou explosão máxima. No entanto, também é uma modalidade em que o dano muscular é significativo e pode comprometer a recuperação, atrasando a performance”, afirma Balu. “A outra particularidade acontece durante a prova, quando torna-se pouco prático ingerir alimentos sólidos para fornecer energia rápida e de fácil digestão. Nesse caso, os suplementos acabam por ser alternativas viáveis. As bebidas esportivas são um aliado fundamental na hidratação e reposição dos eletrólitos perdidos no suor.”</p>
<p>O uso de suplementos – neste caso, repositores eletrolíticos e/ou géis de carboidrato – durante as provas, principalmente a partir da meia maratona, é o único requesito básico das corridas de rua. Todos os corredores que permaneçam em atividade por mais de 1 hora deveriam usá-los. “Já suplementos nutricionais para a melhora do desempenho, recursos antioxidantes ou para prevenção de um fenômeno bem conhecido dos maratonistas, a ‘fadiga central’, dependem de avaliação individualizada”, aponta Jacira.</p>
<p>A grande ajuda desse tipo de suplementação que necessita de acompanhamento é reabilitar o corpo após o esforço. “Para corredores, não é somente a quantidade e qualidade da alimentação que devemos considerar, é necessário fazer a recuperação rápida dos estoques de glicogênio muscular e garantir a recuperação geral no período pós-treino, pois não havendo uma ingestão imediata de nutrientes energéticos e minerais, haverá perda de massa muscular e recuperação geral mais lenta”, lembra a profissional.</p>
<h3>AUMENTO DE RENDIMENTO</h3>
<p>Os recentes exames positivos para EPO em atletas de elite do Brasil despertaram dúvidas em relação ao que ajuda o rendimento e é benéfico para a saúde e o que causa problemas no futuro. Mas suplemento não é ‘bomba’, fique bem claro. O que pode acontecer é um produto de procedência duvidosa conter substâncias dopantes não declaradas em sua embalagem, daí a necessidade de procurar produtos certificados. “Infelizmente, uma pesquisa científica britânica mostrou que considerável parte dos suplementos naquele país (exportados e encontrados em muitos outros) continha algumas substâncias dopantes por contaminação proposital para que o consumidor obtivesse maior rendimento e se transformasse, assim, em um consumidor fiel dos produtos. Teoricamente, todos esses suplementos que possuem vitaminas, minerais e aminoácidos poderiam ser consumidos sem qualquer risco e em qualquer quantidade sem acarretar em doping. A dopagem, em sua larga maioria, se restringe a substâncias hormonais ou estimulantes (alguns emagrecedores) que não se encontram na fórmula original da absoluta maioria de multivitamínicos ou hiperproteicos”, relata Danilo Balu.</p>
<p>Casos de doping ajudam a suscitar desconfianças, mas é preciso separar o joio do trigo. Uma coisa é um suplemento devidamente inspecionado pela ANVISA, outra é um produto contaminado e uma terceira possibilidade é aquela substância propositalmente dopante. “As substâncias dopantes têm venda controlada e essa lista de substâncias pode ser obtida nos sites das confederações esportivas. Por lei, na presença de substâncias dopantes no suplemento, o fabricante deve deixar claro no rótulo. Os casos que vimos expostos na imprensa foram com um produto médico sabidamente dopante, o que irá complicar a defesa dos envolvidos”, destaca Balu.</p>
<h3>O QUE TOMAR</h3>
<p>Diagnosticada a necessidade de suplementar, a próxima dificuldade é se encontrar em meio a tantas opções. Os quatro tipos que podem ajudar os corredores são os repositores eletrolíticos/fontes de carboidrato, vitamínicos, hiperproteicos/aminoácidos e emagrecedores. A escolha depende do objetivo e do que está faltando na dieta. Entenda como cada um funciona:</p>
<h3>REPOSITORES ELETROLÍTICOS/GÉIS DE CARBOIDRATO</h3>
<p>Os repositores ou géis de carboidrato, assim como outros produtos que prometem ajudar atletas de endurance, cuja fórmula seja baseada em carboidratos de rápida absorção (maltodextrina, dextrose), são aquele grupo que deve fazer parte do cotidiano de quem corre numa intensidade forte por mais de uma hora. Sua ação é reconstituir rapidamente os níveis de glicogênio dos músculos, fonte de energia da atividade física, assim como o sódio e potássio perdidos com o suor. “São suplementos a ser consumidos durante e após atividades físicas intensas ou de muito longa duração. Em outras atividades que causem grande sudorese, os repositores também passam a ser adequados”, indica Balu.</p>
<h3>VITAMÍNICOS</h3>
<p>A suplementação com vitaminas é vista como normal por grande parte das pessoas. ‘Começou a sentir um resfriado chegando? É só tomar vitamina C’, ouvimos por aí. Mas a verdade é que uma alimentação balanceada, com frutas, legumes, grãos, carnes e verduras, garante nossas necessidades diárias. E uma superdosagem não servirá de nada, o corpo provavelmente se livrará do excesso por meio da urina. “A suplementação específica de alguma vitamina só se faz necessária se exames acusarem a deficiência dela no indivíduo”, explica Balu. Nos corredores, os constantes reagrupamentos celulares causados pelo esforço físico proporcionam um aumento da quantidade de radicais livres, cujos efeitos negativos são neutralizados pelas vitaminas antioxidantes. Portanto, incluir na dieta vegetais de cor verde-escura, como brócolis, agrião e rúcula, é o suficiente.</p>
<h3>HIPERPROTEICOS/AMINOÁCIDOS</h3>
<p>Geralmente consumidos por aqueles que praticam musculação buscando aumento da massa muscular, produtos como whey protein (proteína de soro de leite), glutamina (aminoácido mais abundante no organismo) e BCAA (aminoácidos de cadeia ramificada) podem ser úteis a corredores, mas isso depende de análise de um especialista. Os aminoácidos formam as proteínas, que atuam na preservação e construção dos músculos. Nos corredores, eles evitam a fadiga, mas também podem ser conseguidos por meio da alimentação. “É um suplemento adequado apenas para aqueles que se encontram sem opções de fontes de proteína no alimento que consomem no local do treino. O brasileiro de classe média consome muito mais proteína do que o necessário mesmo para pessoas fisicamente ativas. Esses suplementos, para quem treina e come fora ou longe de casa, são muito práticos, mas para quem consegue se alimentar adequadamente após o treino, acaba sendo sem valia”, considera Balu.</p>
<h3>EMAGRECEDORES</h3>
<p>Os produtos que apresentam a maior gama de princípios ativos são os emagrecedores. Eles podem atuar na diminuição do apetite, na aceleração do metabolismo ou mesmo na queima de gordura. As promessas são muitas, mas, por vezes, os resultados não vêm na mesma toada. Aqui também a ajuda de um profissional é primordial. “São produtos que deveriam ser consumidos apenas com prescrição médica, visto que alguns possuem estimulantes que são perigosos em cardíacos, por exemplo. Alguns emagrecedores, inclusive, possuem substâncias proibidas sendo inúmeros os casos de atletas suspens os por dopagem intencional ou por acidente”, alerta Balu. Seja qual for seu objetivo, vale se aplicar nos treinamentos, rever possíveis falhas na alimentação e respeitar as horas de descanso antes de vasculhar as prateleiras. Os suplementos podem ser ajudas valiosas, mas funcionam melhor como toque final do que como protagonistas.</p>
<p><strong>COMO OS SUPLEMENTOS AJUDAM OS CORREDORES:</strong></p>
<p>- Atrasam a fadiga central que frequentemente acompanha o atleta em esforços de longa duração;</p>
<p>- Repõem os hidratos de carbono, eletrólitos e fluidos perdidos no decorrer do esforço;</p>
<p>- Reparam o tecido muscular danificado;</p>
<p>- Eliminam os metabólitos tóxicos formados pelo metabolismo devido à constante solicitação para produzir energia.</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 83 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>SE CORRER, NÃO EXAGERE</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:35:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>

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		<description><![CDATA[Atividade física é uma das maiores promotoras de saúde e bem-estar, mas é preciso cuidado para evitar que o ‘barato da corrida’ se torne um vício de consequências desastrosas para o corpo e a mente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Atividade física é uma das maiores promotoras de saúde e bem-estar, mas é preciso cuidado para evitar que o ‘barato da corrida’ se torne um vício de consequências desastrosas para o corpo e a mente</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1462" title="vicio" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/vicio1.jpg" alt="" width="300" height="300" />Vício. Palavra associada a práticas socialmente aceitas como danosas, como consumo de drogas, cigarro, álcool&#8230; Difícil colocá-la na mesma frase com esporte. Não é ele que livra das drogas, do cigarro, do abuso do álcool? Mas há de se fazer um adendo: exagero é sempre negativo, não importa exagero de quê, mesmo de atividade física.</p>
<p>E essa não é uma realidade de poucos. Recente pesquisa do Cepe (Centro de Estudos em Psicobiologia do Exercício) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) apontou que 28% dos 400 atletas avaliados em todo o País são viciados em exercícios físicos. “O vício ou, como é melhor descrito, a ‘dependência de exercício’ é determinada por meio de um questionário que verifica comprometimento, tolerância, abstinência, continuidade e envolvimento”, explica o pesquisador Vladimir Modolo.</p>
<p>O estudo ouviu 200 atletas profissionais de elite e 200 praticantes amadores de atividade física de diversas modalidades. Em comum, uma frequência mínima de cinco dias de treinamento por semana. Os voluntários responderam a um questionário que abordava tolerância da prática e abstinência na falta de exercícios, o quão importante é a atividade em seu quadro social e o quanto o atleta seria capaz de abrir mão da prática esportiva em função de outras atividades. “Este questionário é aplicado em conjunto com outros instrumentos de avaliação de perfil de humor (ansiedade, depressão, agressividade, qualidade de vida, qualidade de sono, etc.). Daí identificamos se existe o componente ‘dependência’ e o quanto isto já afeta este atleta.”</p>
<p>Não é o primeiro estudo na área – a primeira descrição do tipo na literatura médica data da década de 70 – mas nunca atletas profissionais haviam sido ouvidos para pesquisas semelhantes.</p>
<p>Além da constatação dessa dependência em número considerável, os pesquisadores descobriram que quem pratica esportes individuais, como a corrida, está mais propenso a desenvolver esse comportamento. “Ainda tentamos avaliar o porquê. A hipótese é que, quando o indivíduo pratica exercício individualmente, há uma cobrança muito maior. No coletivo, a divisão de responsabilidade ameniza o risco”, afirma Modolo.</p>
<p>Na comparação entre homens e mulheres, o perfil é semelhante, mas, enquanto elas se preocupam mais com a imagem corporal, eles exageram por afirmação social e para saciar a competitividade. Outro dado relevante mostra que o número de ‘dependentes’ é equilibrado entre profissionais e amadores, diferentemente do que se pensava, uma vez que os primeiros dependem do esporte para sustento.</p>
<p>O vício pelo esporte é tanto físico quanto psicológico, devido à pressão da sociedade para ter um corpo perfeito. “Durante o exercício, produzimos uma maior quantidade de substâncias que atuam no cérebro e estão ligadas a sensações de prazer, euforia, bem-estar e analgesia e são elas que fazem o atleta buscar cada vez mais sessões de exercício físico, o que já caracteriza um quadro de tolerância, ao ponto de atletas viciados trocarem compromissos familiares e profissionais por conta da prática compulsiva de exercícios”, explica Modolo.</p>
<p>É importante frisar que essas reações químicas em resposta ao exercício são efetivamente benéficas. “Um estudo publicado no periódico Neuroscience confirmou que os exercícios físicos aumentam a substância química BDNF – fator neurotrófico derivado no cérebro – no hipocampo, uma saliência curva e alongada no cérebro que controla a aprendizagem e a memória. Repare que isso é um dos estudos, que na verdade considero o mais importante a ser levado em conta. A BDNF auxilia e fortalece a sinapse no cérebro”, informa o psicólogo esportivo Paulo Ribeiro. “Na verdade, superar limites tem relação mais próxima a dificuldades pessoais do que cerebrais. Pessoas que atravessam ou atravessaram fases muito difíceis tendem a se confrontar com situações que exigem delas um maior grau de ativação e autoestima, a fim de modificar um estado de coisas interno que não mais lhe dá prazer ou que lhe impeça de desenvolver seu potencial na totalidade.”</p>
<p>O problema é que essa sensação aumenta quanto mais treinado o indivíduo, uma vez que os iniciantes tendem a apresentar cansaço e dores musculares mais rapidamente e esse estado de euforia está ligado à intensidade e duração do exercício. Ou seja, os mais bem condicionados ficam com essa sensação prazerosa por mais tempo e de forma mais intensa. O corpo, então, acostuma-se a essas substâncias e uma interrupção nos treinos faz com que o organismo reaja como num período de abstinência de drogas. “Quem nem cogita perder um dia de treinamento, de corrida, de ginástica, etc., pode estar tão viciado quanto quem consome heroína, por exemplo. Uma tal sensação de euforia toma conta do praticante e funciona, como dizem alguns autores, como o ‘barato do corredor’. Situação similar à sensação ilusória do bem-estar causado pelo uso da cocaína por lhe deixar mais ‘ligado’, mais desinibido”, compara Ribeiro.</p>
<p>A solução, então, é não parar de treinar? Aí o prejuízo vai para articulações, tendões, vida social. A solução é não chegar a esse ponto. Entretanto, não é o que o treinador Ronaldo Martinelli, da Bio Running, vê em seu cotidiano. O profissional afirma que são muitos os casos de dependência entre os corredores. “Geralmente acontece com pessoas mais experientes e que já passaram por diversos desafios, como completar uma maratona ou um ironman. Muitos criam esta dependência por já ter incorporado um estilo de vida totalmente voltado ao esporte. Novas metas e novos desafios é que movem estas pessoas. O fato de não treinar um dia pode levá-la a crer que não estará tão bem preparada a enfrentar o próximo desafio”, classifica. A preocupação exagerada com o corpo também pode levar a extremos. “Existem aqueles que se preocupam com a aparência e a falta de gasto calórico um dia pode levá-las a crer que ficarão obesas ou que ganharão alguns quilos tão difíceis de perder.”</p>
<p>A saída, para o treinador, é conversar com o aluno. “É a única maneira que temos de intervir neste tipo de situação. É claro que também é nossa função identificar os sintomas, mas, muitas vezes, só a conversa não adianta. Neste caso, o ideal é indicar um psicólogo do esporte. Mas infelizmente são poucos os que procuram este tipo de profissional”, lamenta.</p>
<p>O risco de exagerar na dose é maior entre aqueles que não têm acompanhamento profissional, já que as cargas de treinamento são decididas sem uma base apropriada. “Os efeitos disto para as articulações são extremamente prejudiciais e em alguns casos podem levar o indivíduo ao fim da carreira esportiva. É algo muito sério, mas que muitos se dão conta só quando estão com algum problema”, alerta Martinelli.</p>
<p>Outra consequência é a chamada vigorexia, a dependência ao exercício. Trata-se de um transtorno devido ao qual as pessoas que praticam esportes de forma contínua são tão fanáticos, que não se importam com eventuais prejuízos à saúde ou recomendações médicas.</p>
<p><strong>Perfil</strong></p>
<p>Esse corredor dependente passa a ser acometido por gripes constantes, alergias, rinites e sinusites, uma vez que, ao consumir energia demasiada por meio da atividade física, há rebaixamento do sistema imunológico, tornando-o mais suscetível a ficar doente do que normalmente estaria. As lesões também parecem nunca curar totalmente. Tais problemas podem estar relacionados tanto ao aparelho locomotor, como no caso de tendinites, bursites, fraturas por estresse, quanto ao metabolismo, no caso de insônia, agitação e taquicardia, por exemplo. Mais fraco, o corredor sente uma fadiga permanente, mesmo no período de repouso, e se vê incapaz de realizar os movimentos com a mesma eficácia de antes.</p>
<p>É difícil identificar o excesso pela carga de treinamento, já que o ritmo de exercícios varia de acordo com o indivíduo e seus objetivos. Um dos primeiros sinais é a mudança na vida social. “Ultrapassar os limites do seu corpo, deixar de estar com os amigos em virtude da prática exacerbada de atividades físicas são sinais de que algo não vai bem. Sua vida pode estar vazia, sem mais interesse na afetividade/amor, nos relacionamentos, na introspecção, no isolamento social, etc. Daí uma compensação excessiva nessa prática que tinha tudo para ser saudável e passa a ser nociva”, explica Ribeiro. “A pessoa é considerada viciada quando determinada prática interfere no desenvolvimento de outras atividades, sejam elas profissionais, sociais, familiares ou psicológicas.”</p>
<p>Levando em consideração sua experiência do cotidiano, Martinelli acredita que são mais raros os casos em que a família é deixada para trás. “Em relação à família é mais difícil acontecer, mas é possível, sim. A pessoa que já chegou neste nível realmente precisa de atenção. Talvez nem seja o fato de vigorexia, mas porque encontrou na corrida uma forma de descarregar os problemas, estresses, entre outros. Tenho vários atletas que são viciados em esporte, mas acredito que todos eles têm um relacionamento bom com suas famílias, filhos, esposas, maridos, até porque isto pode influenciar na performance da pessoa. A família, em alguns aspectos, é super importante em qualquer atividade. O apoio é fundamental para quem busca um desafio ou completar uma meta mais difícil, como uma maratona, por exemplo. A pessoa que deixa de lado a família pode indicar que talvez tenha algum problema de relacionamento com a mesma ou que realmente mergulhou num vício perigoso.”</p>
<p>Em compensação, segundo o treinador, os compromissos sociais são, sim, os que mais sofrem quando há dependência. “Um viciado em corrida realmente dá menos importância a essas coisas. Muitos não hesitam em deixar de lado um jantar para treinar no dia seguinte. O mesmo acontece se tem que participar de alguma prova. Em relação a isto, não sei se é errado ou certo, mas posso dizer que é possível conviver com este vício desde que os amigos e a família jamais sejam esquecidos. Apesar da corrida ser benéfica, é preciso deixar claro os malefícios do exagero, quando o praticante só tem um tema a falar e em qualquer situação. Neste caso, até os assuntos profissionais ficam em segundo plano. Para quem quer ter vida longa no esporte, o equilíbrio é fundamental”, alerta Martinelli.</p>
<p>Quanto aos sinais físicos, o mais comum é a maior suscetibilidade a lesões. “Além disso, o rendimento, ao invés de melhorar, piora”, identifica Martinelli. Nesse caso, é indicado procurar um médico para medir níveis hormonais e marcadores das substâncias aumentadas durante o exercício. Se o vício for diagnosticado, o tratamento deve ser multidisciplinar, com acompanhamento psicológico, uso de medicamentos e ajuste no ritmo de exercícios.</p>
<p>Essa investigação pode, por exemplo, levar à conclusão de que o problema não é a corrida em si, mas sim outros fatores com os quais o indivíduo terá que lidar. “Quando essas questões passam a ser tratadas de maneira extrema pela pessoa é sinal de que algo precisa ser revisto. Não estaria esse praticante com algo a menos em sua vida afetiva?”, questiona Ribeiro. “Essa é uma das inúmeras questões que envolvem os viciados em exercício.”</p>
<p>Para o pesquisador Modolo, é possível descrever um perfil de quem geralmente exagera na dose. “Em geral, pessoas com uma preocupação excessiva com o corpo ou com sua imagem corporal, que são extremamente controladas nas suas atividades diárias dedicadas aos exercícios e que apresentam quadros de abstinência quando impossibilitadas de praticar exercício.” Para Ribeiro, no entanto, o quadro é mais amplo e, para identificá-lo, deve-se levar em conta questões físicas. “De tudo é possível, de tudo mesmo. Na verdade, pessoas com esse perfil têm certamente algum transtorno psicológico que precisa ser investigado e, acima de tudo, tratado, pois todo excesso é passível de cuidado e atenção, pois ao contrário do que pensam, uma bioquímica cerebral digamos, desencontrada, pode ser tratada como qualquer transtorno psicológico.”</p>
<p><strong>Mal encoberto</strong></p>
<p>O grande ‘problema’ para se compreender que há um exagero e que este é prejudicial está no fato de que a atividade física é propagandeada como essencialmente saudável. E isso não deixa de ser verdade nunca, apesar dos cuidados necessários para evitar exageros. “A atividade física é talvez a principal ferramenta na promoção de saúde, prevenindo ou melhorando quadros de hipertensão, diabetes, doenças do coração, obesidade, etc. E também uma ótima ferramenta quando falamos em saúde mental, proporcionando bem-estar, melhoras nos quadros de ansiedade e depressão e até como prevenção de doenças como Parkinson. Porém, a prática compulsiva pode levar a um vício que, de certa forma, cria um paradoxo, causando malefícios fisiológicos (diminuição da imunidade, alterações hormonais, etc.) e problemas psicológicos (aumento da ansiedade, depressão, transtornos compulsivos, anorexia ou vigorexia, etc.)”, contextualiza Modolo.</p>
<p>Para Ribeiro, não é o caso dos tênis serem vendidos com alertas, como o cigarro e a bebida, do tipo ‘se correr, não exagere’. A solução passa por instrução e compromentimento. “Inicialmente é complicada essa história de convencimento (de que o esporte pode ser prejudicial). Na verdade, cada vez mais as informações dos meios de comunicação são importantes e dão conta de como se deve praticar exercícios físicos de maneira comprometida com a ciência. É importante informar a necessidade de orientação quanto à prática benéfica dos exercícios físicos, pois somente dessa forma poderemos convencê-lo a ter uma visão mais global de uma corrida, por exemplo, qual o tênis mais apropriado, qual indumentária mais eficaz e assim por diante”, defende.</p>
<p>Assim como há trabalho na área da conscientização, a procura dos pesquisadores não terminou. “Estamos investigando quais doses destas substâncias de prazer estão desencadeando o transtorno, se existe outras vias de vício envolvidas e qual o tratamento mais adequado. Para mulheres, é fundamental que investiguemos também transtornos alimentares ou de imagem corporal, pois este grupo tende a praticar atividades físicas com uma preocupação estética maior que o masculino”, revela Modolo.</p>
<p><strong>Faça uma revisão de sua relação com a corrida:</strong></p>
<p>&gt; O vício pela corrida não é uma doença em si, mas pode causar danos à saúde;<br />
&gt; Exageros podem ser reflexo da luta com o espelho ou da falta de desafios em outras áreas da vida pessoal;<br />
&gt; O chamado ‘barato da corrida’, resultado da ação de neurotransmissores que controlam as emoções, pode estimular que o atleta continua praticando a atividade mesmo sem estar fisicamente apto;<br />
&gt; Não se deve treinar todo dia, sob o risco de emitir ao corpo um sinal de que a corrida é uma atividade fundamental, como comer e dormir;<br />
&gt; Os exageros podem ser combatidos com planejamento e acompanhamento de profissional de Educação Física e médicos do esporte;<br />
&gt; Para ajudar a entender o porquê desse comportamento, a ajuda de um psicólogo é bem-vinda.</p>
<p><strong>Sintomas psicológicos:</strong></p>
<p>&gt; Aumento da ansiedade e irritabilidade;<br />
&gt; Crises de depressão e variações de humor;<br />
&gt; Diminuição do tempo de sono;<br />
&gt; Sensação de agitação e taquicardia;<br />
&gt; Dificuldade de manter relações fora do ambiente da corrida.</p>
<p><strong>Sintomas fisiológicos:</strong></p>
<p>&gt; Alterações hormonais;<br />
&gt; Aumento da tolerância (necessidade de mais sessões de treino para obter o mesmo resultado);<br />
&gt; Crises de abstinência;<br />
&gt; Aumento da fadiga e estagnação dos resultados;<br />
&gt; Lesões (tendinites, bursites, fraturas por estresse, etc.) que nunca curam completamente e são recorrentes;<br />
&gt; Queda da resistência do sistema imunológico (gripes constantes, alergias, rinites e sinusites).</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 84 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>FAÇA A COISA CERTA</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:19:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chega de fingir que não é com você. É hora dos corredores abrirem os olhos e perceber que podem, e devem, dar o exemplo e começar a tomar atitudes sustentáveis na vida social e esportiva]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Chega de fingir que não é com você. É hora dos corredores abrirem os olhos e perceber que podem, e devem, dar o exemplo e começar a tomar atitudes sustentáveis na vida social e esportiva</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1447" title="coisa certa" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/coisa-certa.jpg" alt="" width="300" height="300" />Acontece somente nos filmes de uma pessoa, sozinha, salvar o mundo. Na vida real, são as ações individuais somadas que mudam uma realidade e é assim que temos que nos engajar em prol do meio ambiente.</p>
<p>E as medidas para isso são simples. Silvia Burgierman, de 60 anos, corredora de longa data com três maratonas, dez São Silvestres e incontáveis provas de 10km, conta que a maturidade e a paixão pela qualidade de vida adquiridas por meio do esporte a fizeram enxergá-las com o passar do tempo. “Tenho me preocupado bastante em ter atitudes que contribuam para a preservação do meio ambiente no meu dia a dia, reciclando todo o meu lixo (tenho a sorte de ter coleta no meu bairro); entregando baterias e pilhas nos postos de coleta; procurando consumir menos como, por exemplo, para que adquirir um novo celular se o meu ainda está funcionando bem? Levando sacolinhas verdes para fazer compras e rejeitando sacolas se não forem necessárias, fechando as torneiras quando estou me ensaboando ou escovando os dentes e usando o meu carro o mínimo possível”, lista.</p>
<p>A aposentada não está sozinha. Lilian Laxer, de 42 anos, também dá atenção especial às sacolas de supermercado. “Tento usar sacola ecológica sempre que possível. Nas compras maiores, opto pela caixa de papelão. Mas quando não é possível, reutilizo as sacolinhas plásticas para lixo ou para carregar outras coisas”, conta a corredora há 5 anos. Tereza Andrade, analista de RH de 46 anos e corredora há 1 ano, lembra de outras medidas simples, mas eficazes. “Não deixo luzes acesas quando não estou no local e, no trabalho, evito imprimir desnecessariamente.”</p>
<p>Já Rogerio Taiar, de 37 anos, aposta na educação. “Como professor de direito internacional, procuro conscientizar meus alunos para a importância do direito na proteção internacional do meio ambiente”, aponta. O advogado diz ter começado no esporte para perder peso, mas hoje o considera imprescindível para conter o estresse de viver na agitação de São Paulo. “Como os atletas possuem um maior contato direto com a natureza, eles devem ter no dia a dia atitudes de comprometimento. A efetiva proteção do meio ambiente não pode depender da vontade exclusiva dos governos, é dever de toda a humanidade.” O caminho é o mesmo do cirurgião dentista Denis Pierry, de 32 anos. O também corredor de cross country, que treina competitivamente há 8 anos, dá as ‘aulas’ em casa, na criação das duas filhas. “A formação de pessoas conscientes e engajadas fará a diferença para a manutenção das condições de vida na Terra”, acredita.</p>
<p>Infelizmente, nem todos corredores pensam assim. Apesar de, à primeira vista, ser um público que se preocupa com o bem-estar e, consequentemente, com o amanhã, não se vê um comprometimento coletivo nas corridas, pelo menos na opinião dos organizadores. “É necessário criar uma consciência neste sentido e também cobrar deles, principalmente contra o desperdício”, afirma Carlos Duarte, diretor presidente da ECOFLORIPA. Para o diretor da JJS Eventos, Renato Elias, os corredores poderiam começar com duas atitudes: aceitar material ecológico e contribuir para a coleta seletiva.</p>
<p><strong>Aceitação é pequena</strong></p>
<p>O desinteresse por medidas ecológicas desencoraja os organizadores, que, além de serem pressionados a promover eventos de qualidade, ainda precisam pagar as contas no final do mês. Assim, a responsabilidade ambiental fica muitas vezes reduzida a coletas de lixo com participação de ONGs que reciclam parte do material que os corredores largam para trás, principalmente copos de plástico.</p>
<p>Mas isso nem chega a resolver o problema do lixo como um todo. “A pressa aqui é inimiga da ação, pois as prefeituras exigem uma coleta rápida. Coletamos tudo, colocamos em caçambas, que chegam a 10 por prova, exceto os copos de água, recolhidos por ONGs de reciclagem”, revela Elias. Colocando em números, Paulo Carelli, diretor de eventos da Iguana Sports, mostra os dados do Desafio SP-RJ 600km – uma prova de longa duração, no entanto com menos participantes que os grandes eventos de Rio e São Paulo. “Naquela ocasião, foram produzidos 480kg de lixo sólido, sendo que 420kg era reciclável. Esse lixo é sempre repassado para cerca de cinco cooperativas parceiras.” Carlos Sampaio, diretor da Spiridon, tem como base um evento para 2.000 participantes. “Levando em consideração todas as etapas de sua produção e execução, deve gerar aproximadamente 10 toneladas de lixo.”</p>
<p>Quando tentaram dar um passo a mais, os diretores da JJS Eventos e seu principal patrocinador se depararam com o descaso. “No primeiro evento com o Banco Real, em 2003, tivemos determinação da diretoria de fazer as medalhas ecologicamente corretas. Fomos contra, pois a medalha teria que ser de acrílico e os corredores querem porque querem de metal. Acabamos por entregar as medalhas acrílicas e, ao final do evento, várias delas foram jogadas no chão do Parque da Independência em protesto. O banco arcou com um prejuízo enorme, mandou fazer novas medalhas de metal e contratou uma empresa para entregar por malote aos participantes, uma a uma, com uma carta explicativa. E a medalha acrílica era ainda mais cara que a de metal”, revela Elias. Carelli também vê falta de aceitação por parte do público. “O outro empecilho é o custo.”</p>
<p>Para ‘ajudar’, produtos ecologicamente corretos ainda são um pouco mais caros. Portanto, sua adoção depende muito do interesse dos patrocinadores. “A diferença é pouca, mas existe. O patrocinador não quer pagar mais. Para que isso aconteça, o fluxo de caixa do evento é decisivo. Por isso, depende muito da boa vontade das empresas envolvidas. Não conseguimos bancar pela organização ações ecologicamente corretas e ampliá-las sem o patrocinador se envolver”, explica. Segundo Sampaio, a tendência é o preço ser mais competitivo. “Isso afeta bastante o custo da produção do evento. Os tecidos reciclados são em média 40% mais caros, mas estão mais baixos do que no ano passado, e estão reduzindo cada vez mais, na proporção que são mais utilizados, reduzindo, assim, os custos de produção. Acredito que em um futuro muito próximo poderemos trabalhar com 100% de material reciclado ou ecologicamente correto.”</p>
<p><strong>Ações existem</strong></p>
<p>A JJS usa material ecologicamente correto em seus eventos desde 2006. “Toda nossa parte gráfica é com papel reciclado. Procuramos, quando possível, fazer coleta seletiva e chegamos em algumas oportunidades a fazer compensação do gás carbônico com plantio de árvores. As sacolas atualmente são ecologicamente corretas”, afirma Elias.</p>
<p>Na ECOFLORIPA, todo o material de divulgação é feito em papel reciclado. “É um pouco mais caro. Já utilizamos também ‘plástico’ biodegradável e material reciclado de garrafa pet para fazer fixas de sinalização e divulgação e, no Desafio Praias e Trilhas, separamos o lixo orgânico e entregamos para compostagem na Universidade Federal. No Revezamento Volta à Ilha, como nas outras provas, consta um item no regulamento que o atleta será punido se jogar lixo em qualquer local fora dos postos de abastecimento. No Desafio Praias e Trilhas não utilizamos copos descartáveis. Cada corredor recebe um copo que é obrigado a carregar e utilizar nos postos. Toda sinalização colocada no percurso é feita horas antes de iniciar a prova e retirada logo após passar o último. Fizemos, em algumas provas, a compensação do CO2 emitido pela prova, com plantio de árvores em parques em Florianópolis”, lista Duarte.</p>
<p>Eliminar o CO2 é a última moda entre os organizadores. “Fazemos o cálculo durante o evento, em parceria com a Carbovita Ambiental, para poder quantificar a emissão de gás carbono. Há também a reciclagem dos materiais utilizados nas provas, como lonas, copos de plástico, papelão, etc. Todas as medalhas que sobram são devolvidas para o fornecedor e reaproveitadas”, revela Carelli. “Vamos manter as ações e, além disso, estamos buscando alternativas para o uso do material do evento, e de fontes de energia que causem menos impacto no meio ambiente. Um exemplo disso é que conseguimos aproveitar mais e melhor o material utilizado no planejamento de comunicação e da publicidade das provas. No fim do ano, a Iguana Sports também doa as lonas usadas para cooperativas que as transformam em sacolas e bolsas que são vendidas e geram dinheiro para as comunidades”, completa.</p>
<p>A integração entre as ações de responsabilidade ambiental e social também é realidade na Spiridon, além da compensação do carbono gerado. “Fazemos a reciclagem das lonas utilizadas no evento (back drop, pórticos, galhardetes, etc.), transformando-as em sacolas e embalagens. Esta ação, além de voltada para a preservação do meio ambiente, também gera renda para pessoas carentes que reciclam e produzem os materiais”, revela Sampaio. “Possuímos algumas peças de mobiliário do evento feitas com material reciclado e ecológico, como bancos e puffs. Nossos troféus, em grande parte, são feitos em MDF (madeira de reflorestamento), e nossas medalhas, também em grande parte, são feitas de metal reciclado, tendo, inclusive, as nossas próprias sobras sendo recicladas. Nossas sacolas de kit são produzidas em plásticos e tecidos reciclados.”</p>
<p><strong>É preciso educar</strong></p>
<p>Muita gente se questiona: será que as pessoas não enxergam as mudanças climáticas cada vez mais devastadoras e o ar mais poluído? Será que um dia não poderemos mais correr ao ar livre? Espera-se que a situação não precise chegar a esse ponto para uma tomada geral de consciência. “As provas, as assessorias, os atletas profissionais poderiam e deveriam abraçar esta causa para que os amadores, que já têm muita consciência a respeito de alimentação e saúde, tenham também a percepção de que o meio ambiente precisa de cuidados”, opina o corredor Gregory Gobetti. “Vejo, em muitas corridas ou treinos, atletas jogando embalagens de gel e outros objetos no chão como se fosse normal. Eu venho de Curitiba e já morei na Europa. Nestes lugares, o processo educacional começa desde cedo e as pessoas estão automaticamente ambientadas com conceitos básicos, como reciclar lixo. Tudo depende de educação e estímulo. E quem puder patrocinar a mudança de comportamento, que faça a sua parte para que os demais mudem na sequência.”</p>
<p>O advogado Rogério concorda. “Os organizadores deveriam demonstrar para as empresas o enorme ganho de imagem que elas teriam caso investissem em eventos esportivos com preocupação ambiental. No Brasil, a utilização do marketing esportivo pelas empresas ainda é embrionário em comparação aos Estados Unidos e ao continente europeu”, aponta.</p>
<p>Além da questão do destino do lixo, Carelli propõe repensar o transporte para os eventos. “Os amadores podem colaborar no deslocamento até as provas. Se possível, dar carona, ir de bicicleta ou usar o transporte público para reduzir a emissão de CO2.” Sampaio aponta outros quesitos nos quais os corredores devem melhorar. “Não urinar nas árvores e ruas, procurando sempre os banheiros disponibilizados pela organização. Não estacionar seus veículos nos gramados e jardins. Não desperdiçar água com consumo desnecessário (abrir copos e somente beber um pouco, jogando o resto no chão), pois este é um bem que a sobra é sempre reutilizada em doações e outras ações”, lista.</p>
<p>Denis não vê utilidade em medalhas e na maioria das camisetas que recebe, e conta que costuma doar as suas. “Entendo que algumas camisetas são especiais e de qualidade e beleza ímpar. Mas elas poderiam ser vendidas à parte, já que a primeira prova de 5km de uma pessoa é um acontecimento especial e ela tem o direito de querer um souvenir de lembrança. Já outros não se importam com a camiseta da décima maratona que compete. Portanto, vejo muito desperdício”, afirma.</p>
<p>Lilian propõe uma ação paliativa em relação ao lixo: a substituição dos materiais em plástico por papel. Isto porque o primeiro demora mais para ser reabsorvido pela natureza. “Tenho pena do monte de sacolinhas plásticas jogadas no chão ao pegarmos o kit pós-prova (fruta, suco, iogurte, jornais). Por que não colocar em sacos de papel? Também acho plástico demais nos envelopes, embalagens. Não dá para substituir?”, questiona a corredora, que diz preferir a adoção de squeezes ao invés dos copos plásticos, desde que sua qualidade melhore. “Confesso que a maioria deles é de má qualidade e a água fica com gosto de plástico. Acho este um grande empecilho para o uso das garrafinhas. Taí uma ideia para que os patrocinadores realmente façam um brinde útil. Os que recebemos nas provas ficam guardados nas gavetas. Gostei da ideia das corridas femininas, nas quais o brinde é uma bijouteria. Para mim, a medalha é importante, é um registro da missão cumprida, de ter concluído uma prova. Mas uma forma de tornar este item mais ecológico, sem aumentar custo, precisa ser pensada”, sugere.</p>
<p>Silvia, por sua vez, tem metas grandiosas e enxerga no futuro provas que chama de ‘verdes’. “Entrega de kits com palestras voltadas para esse tema, perto de estações do metrô, com um amplo estacionamento para bicicletas. Na cerimônia de encerramento, os participantes poderiam plantar árvores, zerando o carbono da prova e poderiam, em vez de copinhos, distribuir saquinhos de água. E que se usassem só materiais recicláveis, camiseta, número de peito, medalha, tudo!” Para quem estranhou pensar em camiseta reciclada, Tereza lembra que isso já é possível. “Já existem camisetas feitas com garrafa pet. Enquanto isso não é viável, pois aumentaria os custos das corridas, os organizadores podem incentivar os conceitos dos 3R: reduzir, reutilizar e reciclar com mensagens nas camisetas e no material promocional”, indica.</p>
<p>Denis vai ainda mais longe. “Os organizadores poderiam criar uma carteira de cada corredor, como a de vacinação. Com a economia em camisetas e medalhas, parte desse valor poderia ser revertido em plantio de árvores. Por exemplo, a cada 10km completados, o atleta ganha um carimbo referente ao plantio de uma árvore. Ao longo do tempo, os atletas brigarão por mais carimbos e, consequentemente, mais árvores plantadas. Ao invés de mostrar para os amigos aquela caixa cheia de medalha, mostraria sua contribuição ao planeta. E os jovens atletas e crianças sonhariam em ter uma carteira cheia de árvores plantadas”, imagina.</p>
<p>As camisetas, aliás, também poderiam fazer alusão à causa, contribuindo na educação quando usadas em treinos. “Incomoda muito todos aqueles copinhos, todas as garrafinhas de isotônico, todos os envelopes dos chips, cascas e bagaços de frutas jogados no caminho ou no mesmo saco de lixo. Na última prova que fiz havia três postos de hidratação no percurso, vários na chegada. Os copos de água eram grandes, duvido que alguém tenha bebido todo o seu conteúdo. Na hora de pegar o meu isotônico, o rapaz encheu o copo, pedi que ele repartisse. As pessoas jogam o copo com o líquido dentro nos lixos que nunca são suficientes e ficam abarrotados”, reclama Silvia.</p>
<p><strong>O que você deve fazer no dia a dia:</strong></p>
<p>• Separar lixo para reciclagem;<br />
• Evitar o desperdício;<br />
• Entregar baterias e pilhas nos locais determinados;<br />
• Levar sacolas para fazer compras ou substituir saquinhos plásticos por caixas de papelão;<br />
• Fechar torneiras quando se ensaboar no banho ou quando escova os dentes;<br />
• Substituir o máximo possível o carro por transporte coletivo, carona ou bicicleta.</p>
<p><strong>O que você pode cobrar e incentivar nas provas:</strong></p>
<p>• Reciclagem do lixo;<br />
• Kits que contenham o mínimo de embalagens plásticas;<br />
• Motivações para que os atletas busquem alternativas ao carro para o deslocamento até o local da prova;<br />
• Plantio de árvores para zerar a emissão de carbono do evento;<br />
• Brindes úteis, que não ficarão abandonados na sua gaveta;<br />
• Utilização de material reciclado para divulgação/sinalização.</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 88 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>6 MESES PARA DETONAR</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>
		<category><![CDATA[Treinos]]></category>

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		<description><![CDATA[Fez corpo mole nos treinos até agora? Passou longe das corridas? Calma, seu ano não está perdido! Corredores S/A traz dois programas de treino para você ir bem no segundo semestre]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fez corpo mole nos treinos até agora? Passou longe das corridas? Calma, seu ano não está perdido! Corredores S/A traz dois programas de treino para você ir bem no segundo semestre</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1445" title="segundo semestre" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/segundo-semestre.jpg" alt="" width="300" height="300" />É fácil chegar à triste conclusão de que não andamos treinando tanto ou tão bem quanto já fizemos um dia. Os motivos também são simples de encontrar. Mesmo tentando variar, se não os locais de treinamento, pelo menos as músicas do MP3 player, é inevitável cair numa rotina e a falta de estímulos para melhorar só vai deixando a performance lá para trás. Sem resultados, qualquer chuvisco vira um grande motivo para ficar em casa ou abreviar o treino.</p>
<p>Um dia é o frio, no outro um resfriado, no seguinte o convite para uma happy hour. Tudo isso atrapalha, é fato, mas a força de vontade para pegar firme nos treinos tem que vir de dentro. Não dá para esperar que o mundo faça o treino por você. É um momento seu. Uma boa dose de garra de vez em quando colabora para deixar as desculpas de lado.</p>
<p>Ter uma meta ajuda bastante. A nossa, agora, é correr para recuperar o prejuízo no segundo semestre de 2010. Corredores S/A quer salvar seu ano e traz exemplos do que fazer para recomeçar a pegar pesado sem acabar lesionado ou desanimando outra vez. “A maior dificuldade de voltar a todo vapor é segurar o ímpeto de treinar com o mesmo volume e a intensidade de antes desse hiato”, considera a treinadora Luciana Dias, da Ludias Assessoria Esportiva.</p>
<p>Vamos trabalhar com duas situações. O ‘pangaré’ que corre por qualidade de vida, treina três vezes por semana e gosta de participar de provas de 10km; e aquele que quer melhorar tempo nos 10km, é mais competitivo e treina 5 vezes por semana. “Em ambos os casos, no início, o treino será bem parecido, pois o organismo precisa se readaptar ao estímulo da corrida. Quando resolve voltar a treinar forte, precisa ter força de vontade e disciplina suficientes para manter a rotina dos treinos, além de saber crescer em intensidade e volume de maneira bem gradativa, para evitar possíveis lesões”, afirma a treinadora, que atenta para a necessidade de pegar leve pensando ainda no possível aumento de peso decorrente desse período mais descansando que treinando.</p>
<p>Trazemos duas planilhas de 8 semanas cada, visando a volta aos treinos de cada um dos indivíduos citados anteriormente. Lembrando que é apenas uma sugestão – as particularidades de cada um devem sempre ser levadas em consideração na elaboração de uma planilha de treino. No mais, é calçar os tênis e mandar ver.</p>
<p><strong>Dicas para voltar com tudo:<br />
</strong>&gt; encontrar um grupo/assessoria esportiva com o qual tenha empatia – treinar com mais gente costuma ser mais divertido e motivador;<br />
&gt; manter sempre a mochila com a roupa de treino no carro – se tiver que passar em casa para se trocar antes de treinar, a probabilidade de ficar por lá mesmo é bem grande;<br />
&gt; escolher como local de treino um espaço próximo ao trabalho ou à residência, assim a desculpa do trânsito ruim deixa de existir;<br />
&gt; eleger um objetivo (viável, é claro), como, por exemplo, uma prova. As de revezamento são boas opções, pois além de serem um fator motivacional pela distância/dificuldade dos trechos escolhidos, ainda têm algo a mais – se toda a equipe estiver treinando direitinho, você não vai querer furar nem fazer feio, pois assim quem sai prejudicado é o grupo. Vale lembrar que este grupo deve ter objetivos similares aos seus;<br />
&gt; não queira ultrapassar seus limites logo de início – ouvir seu treinador e respeitar suas orientações são sempre atitudes acertadas. </p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 89 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>ONDE COMO (E ONDE) PISA!</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 18:12:10 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>
		<category><![CDATA[Equipamento]]></category>

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		<description><![CDATA[A grande maioria dos corredores já ouviu falar em pisada pronada, supinada e neutra. Pode parecer simples identificar qual é a sua e escolher o tênis certo. Mas, para garantir os melhores resultados, é preciso ir além...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A grande maioria dos corredores já ouviu falar em pisada pronada, supinada e neutra. Pode parecer simples identificar qual é a sua e escolher o tênis certo. Mas, para garantir os melhores resultados, é preciso ir além&#8230;</em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1443" title="pisada" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/08/pisada1.jpg" alt="" width="300" height="300" />A pisada é resultado de todo um corpo em movimento, e não é de se admirar que cada um tenha a sua. Afinal, são inúmeras as combinações entre ângulos de quadris, joelhos, formatos de pés. A indústria de calçados esportivos percebeu isso e determinou três tipos, fabricando seus tênis para pisadas pronadas, supinadas e neutras, com especificações suficientes para atender às necessidades da grande maioria.</p>
<p>Escolher o tênis de acordo com a pisada deveria ser uma das primeiras providências de um corredor, já que o estresse que a modalidade provoca aos pés, passada após passada, é maior que em qualquer outra modalidade. Usar um calçado inadequado pode levar desde a entorses até desequilíbrios musculares em demais regiões do corpo, não apenas nos pés.</p>
<p>Os tênis, efetivamente, não corrigem a pisada. Eles são projetados para se adaptar melhor à maneira como o corredor pisa. “As estruturas de um calçado especializado fazem com que a corrida fique mais confortável e com menores chances de lesões. Ou seja, se um corredor com uma característica de pronação severa concentra a maior parte de seu peso na parte interna dos pés ao longo de toda a sua pisada (pouso, rolagem e propulsão); caso ele não use um tênis para atender essa característica, o mesmo cederá o quanto o corredor exigir. Em um calçado especializado, colocamos uma espuma rígida na parte interna da entressola, parte que está entre o solado e o cabedal, para oferecer suporte e impedir que ele ceda, exigindo menos dos ossos, músculos e ligamentos”, explica Christiano Coelho, gerente de marketing para corrida da Nike. “No caso do supinador, o que buscamos é colocar um alto nível de amortecimento para suavizar a concentração de peso que é colocada na parte externa, que é plana, chapada.”</p>
<p>O problema do calçado ceder é justamente perder sua função prioritária para o corredor: o amortecimento. “Hoje sabemos que a absorção de impacto que a maior parte dos tênis de corrida tem é o mais importante fator que previne lesão. Ainda não temos certeza se o tênis corrige ou não a pisada completamente, mas o que podemos dizer é que ajuda, e muito. Trato frequentemente atletas de corrida no consultório, e observamos que muitos deles melhoram quando se recomenda um tênis adequado para o tipo de pisada. Como em tudo na medicina, isso não é uma regra geral, mas podemos ter este aliado nosso, sim, no tratamento”, avalia Rogerio Teixeira da Silva, coordenador do Núcleo de Estudos em Esportes e Ortopedia e consultor médico da Asics.</p>
<p>Se a pisada é pronada, o tênis precisa de apoio medial mais reforçado, pois os pés pronados são muito móveis e necessitam maior suporte. Já para os pés neutros e supinados o mais importante é a absorção de impacto. O detalhe dos supinadores é que estes apresentam pés extremamente rígidos, o que aumenta a chance de lesões ósseas por sobrecarga.</p>
<p><strong>Carga pesada</strong></p>
<p>As lesões por sobrecarga, inclusive, encabeçam a lista dos males que acometem quem escolhe o tênis mais pela beleza do que por qualquer outro requesito. “O resutado são basicamente essas lesões (como as fraturas por estresse) e as tendinites crônicas. Principalmente na área do tornozelo, região em que a tendinite de Aquiles é o que mais encontramos nestes atletas, juntamente com a inflamação da planta do pé (fasciíte plantar)”, lista Silva.</p>
<p><strong>Não arrisque</strong></p>
<p>Pensando que são três tipos de pisada, digamos que haja 33% de chance do tênis bonito ser o certo para o seu pé, mas não há muito lucro em apostar. O que aconteceria com um pronador que escolhe o modelo neutro ou para supinador? “Se ele for um pronador leve, não terá muitos problemas. Se a sua pronação for exagerada, pode ser que o tênis para supinador/neutro não estabilize de forma adequada a parte de dentro do pé, fazendo com que o pé se movimente muito. Isso, a longo prazo, pode ser ruim para o corredor, e propiciar lesões no tornozelo e joelho”, aponta Silva. “Pelo fato do tênis de supinador não ter essa espuma rígida, ele acaba cedendo e faz que o corredor se apoie mais nessa parte interna, alem de exigir mais das estruturas musculares e ósseas. Portanto, quanto maior o volume de corrida, maior a chance de lesão”, completa Coelho.</p>
<p>Outro complicador é o fato das marcas utilizarem tecnologias distintas. Então, depois de acertar na pisada, o próximo desafio é ir experimentando até chegar no seu modelo ideal. </p>
<p><strong>Mas qual a minha pisada?</strong></p>
<p>Cada dia os testes de pisada estão mais acessíveis, chegando até às lojas de material esportivo. Mas nada se compara à estrutura de uma clínica de fisioterapia ou ortopedia. “O tipo de pisada deve ser observado sempre de forma estática e dinâmica, portanto, desconfie de exames que relacionem diretamente o formato do pé com a pisada. Ter um pé cavo é uma coisa, uma pisada supinada é outra. “Cavo e plano são definições com relação à parte estática do pé durante o apoio. Pronado e supinado são definições que somente podem ser usadas para avaliações dinâmicas do pé (quando vemos o atleta correndo)”, contextualiza Silva. “Os testes estáticos basicamente observam os eixos do joelho e tornozelo, e a impressão da planta do pé, determinando se o pé é cavo ou plano (conhecido também como pé chato). Os testes dinâmicos são os mais importantes, pois observamos com isso o quanto a corrida modifica a angulação dos ossos e articulações, e o quanto isso implicará na recomendação do calçado adequado para a corrida.”</p>
<p>O problema é que, nas lojas, dificilmente é feito o teste dinâmico. “Assim fica muito difícil obter o resultado completo. Não é raro pegarmos no consultório testes inadequados feitos em lojas. O que deve ser lembrado é que algumas lojas fazem bons testes, tanto estáticos quanto dinâmicos, mas isso não é a regra geral de lojas onde o volume de vendas é muito grande e inespecífico para o esportista”, alerta o médico.</p>
<p>Fernando Assunção, fisioterapeuta e sócio da Total 1 Fisioterapia, classifica essa prática de ‘pseudo-teste’. “Eles são realizados em condições inadequadas. Por exemplo, eu já presenciei testes em que era colocada uma câmera de vídeo na parte posterior de uma esteira e era analisado o tipo de pisada desta pessoa, sem uma avaliação precisa das pressões exercidas em cada parte da planta do pé”, conta.</p>
<p>Portanto, são dois exames que o corredor deve cobrar. Primeiro, a avaliação estática, o que pode ser feita por um exame chamado podoscopia, em que o atleta pisa em um podoscópio e se fotografa o tipo de impressão plantar. Depois vem a avaliação dinâmica, que consiste na gravação em vídeo do corredor em ação numa espécie de esteira especial. Em alguns locais, são colocados sensores em várias partes do corpo, que mostrarão, além da pisada, possíveis desvios posturais. “O teste é realizado em uma plataforma de pressão, chamada baropodômetro, que é acoplada a um computador. Esta plataforma envia com precisão todo o contato da planta do pé com o solo, inclusive a quantidade de pressão que é exercida em cada parte da planta do pé”, explica Assunção.</p>
<p>Ainda assim o resultado pode confundir. Há quem tenha um tipo de pisada para cada pé. “Devemos escolher sempre o lado pronador. Quando um pé é neutro e outro pronador, comprar tênis para pronador”, avisa Silva. O mesmo vale para o supinador.</p>
<p><strong>Casos extremos</strong></p>
<p>Geralmente, quem adequa seu tênis à pisada sente mais facilidade para correr e fica mais prevenido contra lesões. Mas sempre há exceções. Para estes casos, a indicação é customizar palmilhas específicas para sua pisada. “A maior parte das marcas de calçados esportivos desenvolve pesquisas justamente pensando nisso, para que os tênis já previnam lesões, principalmente quando falamos do conceito de absorção de impacto. Acredito que aumentar ainda mais o custo para o corredor não é necessário, a não ser que ele tenha lesões mesmo com o uso de tênis adequados”, acredita Silva.</p>
<p>Para Assunção, no entanto, todos poderiam se beneficiar de palmilhas específicas. “Cada indivíduo é único, tanto no seu DNA quanto a seu tipo de pisada, e vou mais além, cada pé de um mesmo indivíduo tem a sua pisada particular, por isso sou totalmente contra a fabricação e a prescrição indevida feita por vendedores, pela compra de um tênis que oferece uma pisada pronada ou supinada. Acho que todos os atletas deveriam passar por uma avaliação com um fisioterapeuta especializado, pois se ele não possui nenhum quadro de lesão, com certeza o uso da palmilha lhe dará mais longevidade no esporte e agirá de forma preventiva no caso de alguma lesão”, sentencia.</p>
<p>Para o profissional, a tecnologia dos tênis simplesmente não é eficaz da mesma forma para todos. “Os tênis ‘inteligentes’ encontrados no mercado hoje em dia tentam fazer de forma genérica o que o uso de uma palmilha faz, mas não de forma individualizada, com parâmetros específicos e uma avaliação criteriosa. Um outro detalhe importante é que na minha experiência pude notar que nenhuma pisada é simétrica, por isso cada palmilha tem que ser única para cada pé de um mesmo indivíduo. Outro ponto importante é que nem sempre o problema é a forma da pisada (se é pronada ou supinada); a estabilidade do pé conta muito, o tônus da musculatura da fascia plantar também pode ter bastante influência em alguns problemas”, explica Assunção, que vê utilidade das palmilhas até para quem não sente dores. “O uso das palmilhas proprioceptivas não tratam somente problemas relacionados a dores nos pés. Problemas na coluna, quadril e joelhos podem ser corrigidos também.”</p>
<p><strong>Os tipos de pisada</strong></p>
<p> A avaliação leva em conta o conjunto entre o formato do pé e a angulação e movimentação do tornozelo durante a passada. Isso vai influir na pressão que o atleta vai incidir no solado, por isso a diferença entre um tênis para pronador, neutro ou supinador é basicamente voltada às àreas de maior amortecimento.</p>
<p>&gt; <strong>Pronação:</strong> quando o corredor pisa com a parte de fora do pé e depois rola para dentro;<br />
&gt; <strong>Supinação:</strong> quando o corredor pisa com a parte de dentro do pé e depois rola para fora;<br />
&gt; <strong>Neutro: </strong>quando se inicia o contato com o solo do lado externo do calcanhar e então ocorre uma rotação moderada para dentro, terminando a passada no centro da planta do pé.</p>
<p><em>Por Julianne Cerasoli<br />
</em>MATÉRIA PUBLICADA ORIGINALMENTE NA EDIÇÃO 89 DA REVISTA CORREDORES S/A</p>
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		<title>Revezamento</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 20:55:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>

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		<description><![CDATA[Corridas de revezamento transformam competição em festa e ganham cada vez mais adeptos   ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Corridas de revezamento transformam competição em festa e ganham cada vez mais adeptos</em>         </p>
<p><img class="size-thumbnail wp-image-1214 alignleft" title="ilhabela3" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/06/ilhabela3-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />Correr é um ato de celebração à vida, à saúde, ao bem estar de corpo e alma. Correr é tudo isso. Mas é, essencialmente, uma ação solitária, especialmente em competições. Isso se você nunca participou de uma prova de revezamento. O crescimento desse tipo de modalidade agregou companheirismo, solidariedade, descontração e, principalmente, alegria, à corrida. Resumida em uma expressão, é a verdadeira festa do esporte. Não importa tanto a colocação, o pódio. Importa participar, fazer parte de um grupo de amigos unidos em torno de um objetivo: cruzar a linha de chegada. Juntos.      </p>
<p>A cada evento, o número de participantes aumenta estrondosamente e confirma que a dobradinha disputa + amizade dá certo. Uma das principais provas da modalidade do Brasil, a Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, tem previsão de reunir, na décima edição, 25 mil pessoas. No ano de estréia, em 1993, foram ‘apenas’ mil inscritos. E novas competições surgem para buscar um parte dessa fatia de mercado. </p>
<p>Os números comprovam que o Brasil se rendeu ao revezamento. Em Florianópolis, Santa Catarina, é disputada uma das mais tradicionais provas do gênero, a Volta à Ilha, que contou com a participação de 1.520 atletas em sua oitava edição. O número é 690% maior em relação ao ano de estréia. E não é apenas a população local que participa. Cerca de 60% dos inscritos são do Estado de São Paulo.</p>
<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1215" title="ilhabela2" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/06/ilhabela2-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />A Ilhabela Corpore Terra &amp; Mar teve, em sua terceira edição, cerca de 500 participantes, extrapolando o número previsto de inscrições. “A idéia inicial era abrir a prova para 60 equipes, mas acabaram participando 84. A prova de Ilhabela está no seu limite de participantes. O crescimento só não é maior, porque você tem que limitar o número de equipes”, confirma Armando Santos, diretor da Corpore (Corredores Unidos de São Paulo).                                    </p>
<p>Segundo Mário Sérgio Andrade Silva, diretor técnico da equipe Run &amp; Fun, a prática da corrida é muito solitária e, por isso, as corridas de revezamento são um grande sucesso. E o poder de atração da competição é comprovado. “Ela tem um poder de massificação muito forte. É uma grande isca para atrair novas atletas. As pessoas acabam se alertando para o treinamento.”               </p>
<p>A coordenadora de projetos esportivos do Pão de Açúcar, Renata Araújo Gomide, também acredita que o caráter festivo é o principal atrativo. “O objetivo é de confraternização entre as equipes. Não há um perfil de participantes, todos que gostam de atividade física não perdem a oportunidade de correr ao lado de amigos e familiares, sem a obrigação de resultado. Não é obrigatório ser atleta para disputar”.        </p>
<p>Não há regra geral, cada evento formaliza seu regulamento de acordo com as próprias características. De acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), até hoje, a entidade não recebeu nenhum pedido de regularização por parte de promotores de corridas de revezamento, que preferem manter o caráter promocional dos eventos. Para o diretor da Run&amp;Fun este é um ponto a favor da expressiva participação dos corredores. “Regulamentos superprofissionais afastariam os grupos amadores. Além disso, as provas são realizadas em condições diversas. Por isso são necessárias regras específicas”.</p>
<p><strong>Segurança<br />
</strong><img class="size-thumbnail wp-image-1216 alignright" title="ilhabela" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/06/ilhabela-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />O revezamento é democrático, mas precaução e cuidados são bem-vindos. O técnico Diego Lopez recomenda que a prática seja feita por alguém que tenha conhecimento de atletismo. “Apesar de a prova atrair mais pessoas, não pode ser praticada por alguém que começou a treinar agora. O atleta tem que ter uma bagagem mediana”. Os organizadores dos eventos também aconselham que os participantes passem por uma avaliação médica e sigam as orientações de profissionais de Educação Física antes de darem a largada.</p>
<p><strong>Multidão</strong><br />
As milhares de pessoas que competem em corridas por equipes formam uma tribo eclética. Gente de todas as idades e níveis sociais divide o prazer da competição sem maiores compromissos. O treinador Marcos Paulo Reis lembra que a modalidade tem ainda a vantagem de “fazer com que o corredor tenha a sensação de ter cumprido uma distância maior por trabalhar em equipe.”<br />
&#8216;Um por todos. Todos por um’.            </p>
<address>Por Fernando Evans e Renata Rondini<br />
Fotos: Leonardo Soares<br />
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (jul/03)</address>
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		<title>Oásis paulistano</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 20:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Corredores S/A]]></category>

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		<description><![CDATA[Com muito verde e percursos variados, a USP se consolida como o paraíso dos corredores e ciclistas em São Paulo     ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Com muito verde e percursos variados, a USP se consolida como o paraíso dos corredores e ciclistas em São Paulo</em>                                                                  </p>
<p><img class="size-full wp-image-1209 alignleft" title="usp3" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/06/usp3.jpg" alt="" width="153" height="238" />Fundada em 1934, a Universidade de São Paulo é referência internacional em qualidade de ensino público e pesquisa. Instalada desde 1968 na Cidade Universitária, é hoje o maior centro de produção e retransmissão de conhecimento do Brasil e o terceiro da América Latina. O que muita gente não sabe é que na USP não se trabalha apenas a cabeça. O corpo é devidamente estimulado. Desde a década de 90, o campus é invadido por corredores, ciclistas e caminhantes que consideram o local a melhor opção para quem busca saúde por meio da atividade física.s.   </p>
<p> Todo sábado, especialmente os de bom clima, a USP recebe cerca de cinco mil corredores, ciclistas e caminhantes. Espalham-se pelos diversos percursos e vias para dar mais vida e colorido ao local. Atividade física é coisa séria na universidade. Prova disso são as 58 tendas dos técnicos e equipes espalhadas pela USP, que oferecem suporte e assistência aos corredores e alunos.                                                                                                     </p>
<p>Mara Pezzotti, do Projeto Correr, conta sempre ter freqüentado a USP. O pai trabalhava na universidade e, desde criança, pôde aproveitar o espaço para andar de bicicleta, jogar bola e passear. Agora, sua atividade é a corrida. Como contribuinte, ela tem o direito ao uso de uma universidade pública, e entende que a comunidade tem de adotar e zelar por ela como se fosse sua própria casa e não tratá-la como terra de ninguém.</p>
<p>Eliana Reinert, professora de Mara no Projeto Correr e também do Clube Pinheiros, freqüenta a USP com seus alunos há 10 anos. Ela acredita que com o apoio e colaboração da Prefeitura da USP existe uma excelente perspectiva de trabalho direcionando os espaços do campus. Segundo a treinadora, os alunos adoram a variedade de percursos e acham fundamental para os treinamentos de 6 km à maratona em uma cidade como São Paulo.</p>
<p>Miguel Sarkis é um dos mais antigos freqüentadores da USP e, coincidentemente, sua tenda é a primeira que se vê quando se chega no campus. O treinador acredita que o local completa uma relação quase familiar que tem com seu grupo de alunos. Cita a variação de percursos em quantidade e qualidade, com pisos diferenciados, e a motivação de ver um grande número de pessoas correndo como os pontos mais positivos do campus. Mas, ao mesmo tempo, lembra que a falta de banheiros (principalmente para as mulheres) e o tráfego são os problemas a serem corrigidos.            </p>
<p><strong>História</strong></p>
<p>O presidente da ATC (Associação de Treinadores de Corridas de São Paulo), Claudio Castilho, acredita que a procura pelo campus universitário aumentou no início da década de 90, quando houve um “boom” da corrida. “A mídia começou a divulgar para a grande massa os benefícios do esporte e também houve um crescimento no nível das provas. Estes fatos fizeram com que a procura pela corrida aumentasse e houve uma invasão da USP, pelos adeptos e treinadores, além das pessoas que fazem atividade esportiva.”                        </p>
<p>Segundo o prefeito da USP, José Geraldo Massucato, a realização de evento cultural e exposição na mídia colaboraram para a popularização do campus. “Há 12 anos, o campus sediava o programa “Bem Brasil”, da TV Cultura. Era aos domingos pela manhã e fez com que as pessoas conhecem mais o local. No entanto, esta iniciativa trouxe alguns problemas, como a sujeira excessiva e depredação, o que gerou a regularização do horário de uso do campus”. Atualmente, a USP tem as portarias abertas ao público das 6h às 23h de segunda a sexta-feira, e aos sábados das 7 às 14h. Não abre mais aos domingos.</p>
<p><strong>Equipes</strong></p>
<p>As equipes de corrida dentro da USP também aumentaram com o tempo, o que gerou o protocolo que regulariza a utilização do espaço pelas tendas dos técnicos, implantado em janeiro deste ano. Atualmente, 58 equipes têm estrutura montada no local e o principal problema enfrentado é a superpopulação em determinadas áreas, como a Av. da Raia. “Tivemos a preocupação de, quando implantamos o protocolo, não alterar a posição ocupada pelas equipes há anos. Então estamos resolvendo o problema de superpopulação da Raia aos poucos, quando um ponto é desocupado não substituímos. Com um regulamento para o uso, os conflitos e problemas diminuíram”, afirma Castilho.</p>
<p>O campus também é palco de competições. Em 2002 foram realizadas quatro provas no local. Neste ano serão seis. Segundo o diretor de operações da USP, Ronaldo Elias Pena, o número vem crescendo principalmente devido à carência de espaços na cidade de São Paulo para a prática esportiva ao ar livre e realização de eventos.</p>
<address>Por Sergio Coutinho Nogueira e Renata Rondini<br />
Fotos: Leonardo Soares<br />
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (ago/03) </address>
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		<title>BCAA´s</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 20:35:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>multiesportes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[SuperTreino]]></category>

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		<description><![CDATA[O que todo praticante de musculação deveria saber sobre esses três poderosos aminoácidos       

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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O que todo praticante de musculação deveria saber sobre esses três poderosos aminoácidos       </em></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1200" title="BCAA´s" src="http://www.multiesportes.com.br/wp-content/uploads/2010/06/BCAA´s.jpg" alt="" width="150" height="150" />Aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA&#8217;s) devem estar entre os mais antigos suplementos do culturismo, mas sua eficácia no processo de construção muscular continua inabalada.</p>
<p>Considere isso: os BCAA&#8217;s representam aproximadamente um terço do total de aminoácidos presentes na musculatura! Mais ainda, eles são essenciais para todas as reações de síntese de tecido muscular e têm sido usados até em atletas de alto nível em provas de resistência aeróbia.<br />
Com tantas alegações e estudos a seu favor, sentimos que era a hora de analisar o que há de novo sobre estes indispensáveis blocos construtores da musculatura.</p>
<p>Estruturalmente, cada BCAA tem uma capa bifurcada que parece com uma ramificação, de onde vem o nome &#8220;Cadeia Ramificada&#8221;. Os três aminoácidos de cadeia ramificada são: leucina, isoleucina e valina. Todos são essenciais, o que significa que você deve obter as quantidades adequadas pela dieta.</p>
<p>Isso porque todas as células de seu corpo precisam deles para sintetizar proteína, incluindo proteínas musculares e enzimas necessárias ao processo de liberação de energia. O que significa que os BCAA&#8217;s são parte essencial tanto do processo de construção muscular quanto dos processos de produção de energia.  </p>
<p><strong>Use ou Perca</strong></p>
<p>Devido a musculatura ser tão rica em BCAA&#8217;s, eles são requisitados pelo organismo durante momentos de estresse ou intenso exercício. Por exemplo, o treinamento intenso causa uma elevação do cortisol, acarretando a destruição de proteínas musculares, liberando aminoácidos (grande parte são BCAA&#8217;s).</p>
<p>Além de ser queimado na musculatura em ação, os BCAA&#8217;s são uma fonte alternativa de energia para quase todos os tecidos do organismo.</p>
<p>Esportes de alta intensidade como o culturismo gastam mais rápido as reservas de BCAA&#8217;s do que atividades aeróbias. Devido a isso, muitos atletas utilizam suplementos que contenham BCAA&#8217;s. Depois de tudo, faz sentido repor o que você usou.</p>
<p>            Protetor Muscular</p>
<p>Vários estudos realizados com atletas sugerem que a suplementação de BCAA&#8217;s, antes ou imediatamente após o exercício, pode estimular a síntese proteíca e diminuir a quebra de tecido muscular. Isso parece ocorrer devido ao fato de a suplementação de BCAA&#8217;s suprir as necessidades dietéticas destes aminoácidos, preservando os estoques musculares.</p>
<p>Ter as quantidades adequadas destes aminoácidos na musculatura após o treinamento é essencial para a síntese protéica e crescimento muscular.</p>
<p>Este efeito foi notado em atletas em altitude que ingeriram suplementação de BCAA&#8217;s durante 21 dias, composta de 5,76g de leucina; 2,88g de isoleucina e 2,88g de valina por dia. Estes atletas aumentaram sua massa magra em 1,5% e mantiverem suas medidas de braços e coxas, e máxima potência muscular das coxas, em comparação com o grupo placebo, apesar de ambos os grupos terem diminuído sua ingestão calórica.</p>
<p>Outro fator que poderia estimular este aumento na síntese proteíca pode envolver o hormônio do crescimento (GH), um hormônio anabólico conhecido por estimular o crescimento muscular. Um estudo italiano analisou os efeitos de um mês de suplementação de BCAA&#8217;s em triatletas, onde os voluntários ingeriram 10 gramas de BCAA&#8217;s antes de realizarem 60 minutos de exercício aeróbio. Os pesquisadores encontraram níveis de GH após o exercício 95% superiores aos encontrados quando os atletas ingeriam proteínas do leite, e concluíram que o grupo que ingeriu BCAA&#8217;s pode ter aumentado a síntese proteíca na musculatura.</p>
<p><strong>Queimador de Gorduras</strong></p>
<p>Já ouviram as histórias sobre os BCAA&#8217;s como queimadores de gordura? Um estudo em atletas de luta greco-romana demonstrou que o grupo que ingeriu BCAA&#8217;s em combinação com uma dieta de baixo valor calórico teve a maior queda de gordura e peso corporal, assim como também uma maior perda de gordura na área abdominal.</p>
<p>Infelizmente, os pesquisadores não conseguiram duplicar estes resultados em um grupo de pacientes diabéticos, o que torna os resultados anteriores de alguma forma questionáveis.<br />
Entretanto, é relevante usar os BCAA&#8217;s em combinação com dietas, não apenas por eles protegerem sua musculatura, mas também porque eles podem ter algum efeito sobre o metabolismo de gorduras.                      </p>
<p><strong>Otimizadores Cerebrais</strong></p>
<p>BCAA&#8217;s parecem acarretar uma melhora nas capacidades mentais: os estudos em atletas demonstraram que o comportamento e a função cerebral eram otimizadas quando os BCAA&#8217;s eram ingeridos antes do exercício.</p>
<p>A bioquímica que está por trás deste efeito parece ser propiciada pela habilidade dos BCAA&#8217;s prevenirem que outro aminoácido essencial, o triptofano, adentre a barreira cerebral e seja convertido em serotonina, um neurotransmissor responsável por fazer você se sentir contente, porém cansado.</p>
<p>Os BCAA&#8217;s não farão seus estudos mais fáceis, mas você deve considerar a sua ingestão quando estiver estudando para um grande exame ou desempenhando outras atividades mentais.</p>
<p><strong>Maximizadores da Performance</strong></p>
<p>Enquanto os estudos em atletas de resistência aeróbia não têm conclusões semelhantes sobre o aumento de performance, aquele frasco de BCAA&#8217;s pode ainda ter um raio de esperança para nós, ratos de academia. Devido a eles servirem como fonte de energia aos músculos que estão trabalhando, os BCAA&#8217;s podem oferecer mais combustível para mantê-lo malhando, sem que você utilize totalmente seus limitados estoques de glicogênio e, com isso, fique fora de ação.</p>
<p>Estudos demonstram que os níveis de ácido lático em atletas são menores após o exercício quando suplementos de BCAA&#8217;s são ingeridos, uma indicação de que menos glicogênio foi utilizado para a produção de energia. Isso também é algo novo para os praticantes de musculação, já que atualmente é creditado ao ácido lático a responsabilidade por parte da fadiga que limita a sua capacidade de efetuar mais repetições.     </p>
<p><strong>Fortalecedor Imunológico</strong></p>
<p>Devido a suplementação de BCAA&#8217;s manter os níveis de glutamina no sangue estáveis após o exercício, eles parecem efetivamente fortalecer a função imunológica.<br />
Este efeito foi demonstrado em triatletas que utilizaram BCAA&#8217;s durante uma prova. Ao final, os níveis de glutamina dos voluntários era similar ao encontrado antes do início da competição, enquanto aqueles que receberam o placebo tinham os níveis de glutamina deprimidos e apresentavam uma maior incidência de sintomas de infecção.</p>
<p><strong>Segurança</strong></p>
<p>BCAA&#8217;s são, geralmente, muito bem tolerados. Porém, altas doses interferem com o transporte de outros aminoácidos, tais como o triptofano ao cérebro (o que pode ser bom algumas vezes).</p>
<p>Altas doses de valina também têm demonstrado diminuir a produção de serotonina decorrente do exercício. Isso em pesquisas realizadas com animais de laboratório. Devido ao fato de níveis baixos de triptofano cerebral poderem afetar o humor, qualquer pessoa que seja particulamente propensa a depresão, flutuações de humor, ansiedade ou desordens compulsivo-obssesivas, deve consultar um médico antes de suplementar com BCAA&#8217;s e ficar alerta para qualquer piora dos sintomas.                    </p>
<address>Por Brian Rowley<br />
Tradução: Prof. Benito Olmos<br />
Artigo Original: Muscle&amp;Fitness, 64(6):167-168, 2003</address>
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