Bonés e meias

Uso de meias e bonés adequados fazem a diferença em treinos e competições

O atleta tem que estar preparado dos pés à cabeça para enfrentar os desafios até a linha de chegada. Correr com meias incômodas ou boné encharcado de suor nem pensar. Não dá prazer e nem permite qualidade de performance. Não são poucas as histórias de pessoas que terminaram a prova cheios de bolhas causadas por meias inadequadas ou suaram excessivamente por terem escolhido o boné errado. A idéia de que “detalhes fazem a diferença” tem que ser seguida a risca por quem busca sucesso e satisfação na atividade física.

Aqueles mais desatentos diriam: meias para corrida são todas iguais e todos os bonés protegem do sol, portanto, não há cuidados especiais. Estão enganados. É preciso saber escolher estes acessórios. Quando adequados, não são percebidos durante a atividade. Caso contrário deixam péssimas lembranças.

O boné, além de proteger do sol, e muitas vezes da chuva, evita que o suor escorra pelo rosto do atleta. Eles devem ser desestruturados, isto é, não podem ser duros, mas bem ajustados para que não fiquem caindo ou se movendo durante a atividade física. No caso dos corredores noturnos, este acessório também auxilia na segurança, quando com detalhes refletivos.

A meia de corrida não pode ser grossa. Deve ter a malha mais aberta, principalmente na parte de cima dos pés, e ser confeccionada com fios chamados “inteligentes”, que facilitem a absorção e evaporação do suor.

Os tecidos mais indicados para a confecção dos bonés são os feitos com microfibra de Poliéster ou microfibra de Poliamida, como explica Paula Spuch Bousso, gerente de produtos no ramo de confecções e acessórios da Diadora. “Devem ser confeccionados em tecidos leves. Os mais procurados são os bonés de telinha em 100% Poliéster que, além de leve, é ideal por não esquentar, facilitar a evaporação do suor e por facilitar a saída do calor. As melhores meias de corrida são as confeccionadas com o fio Coolmax da Du Pont, ou o Amni, da Rhodia. Os dois fios são microfibras que tem alta absorção de suor, além de serem antibactericidas.”

Observar a composição da peça é o primeiro passo para uma boa compra. Na seqüência, deve-se experimentar o acessório, no caso do boné, para saber se ele se ajusta bem a cabeça, enquanto as meias devem ficar justas no pés.

A maratonista Rosangela Faria, terceira colocada na Maratona Internacional de São Paulo 2003, sofreu bastante para encontrar o boné ideal. “É preciso ter muita atenção quanto ao ajuste do boné. No meu caso, por exemplo, demorei a encontrar um que não ficasse solto, pois tenho a cabeça pequena. Outro cuidado é verificar se o acessório não tem espuma dentro. Este material esquenta muito a cabeça. Já a meia tem que ser adequada ao tamanho do pé para não haver sobras de tecido, pois pode causar bolhas.” Normalmente os corredores preferem meias curtas ou ‘invisíveis’, com a parte do calcanhar elevada.

Para manter os acessórios com qualidade durante a vida útil, devem ser lavados logo após o esporte, de preferência à mão, com sabão neutro e secar à sombra. Seguindo as orientações de lavagem do fabricante do produto, o boné pode durar até cinco anos. Já para meias é indicado trocá-las a cada seis meses ou quando apresentarem sinais de desgaste. Rosangela alerta sobre os problemas causados por acessório com muito uso. “Quando o tecido da meia começa a ficar gasto, é hora de trocar, porque pode causar atrito entre o pé e o tênis. Outro sinal é quando as meias ficam largas, assim, elas escorregam dentro do tênis e acabam causando bolhas.”

O modelo e cor são ao gosto do atleta, no caso dos bonés. Segundo a gerente da Diadora, desde os tons básicos (branco e azul) até os mais chamativos (laranja e amarelo) são bem-vindos. O triatleta da equipe Pão de Açúcar, Santiago Ascenço, aconselha o uso de boné tanto no treino quanto na competição. “O boné faz uma sombra no rosto, aliviando a sensação de calor e protegendo do sol. Eu sempre uso nos treinamentos e nas competições mantinha o hábito. No entanto, nas últimas provas comecei de boné e acabei tirando ao longo do percurso porque estava me incomodando. Então, oriento que o atleta experimente competir com e sem boné, assim saberá como se sente melhor. Também vale investir um pouco mais nos acessórios, pois o conforto que um produto de qualidade proporciona com certeza influencia num bom rendimento.”  

Por Renata Rondini
Matéria publicada originalmente na Revista SuperAção (Ed. 08)
Share

Leave a Reply